sábado, 25 de março de 2017

Mitreu do Circo Máximo

Nesta zona interessantíssima da cidade de Roma, ligada à sua fundação, que é o Foro Boário, além dos templos de Hércules Olivário, Portunus e a maravilhosa Santa Maria in Cosmedin, existe escondidinho embaixo de um antigo edifício industrial de uma ex-doceria/padaria, um Mitreu denominado o “Mitreu do Circo Máximo”.

Interior do Mitreu do Circo Maximo

Desta antiquíssima religião sabemos muito pouco, pois era uma religião iniciática, isto é, uma religião que não se baseava sobre escritos de nenhum tipo, fato que há contribuido para que ela permanecesse um mistério para nós, já que não soubemos da boca de ninguém sobre a sua crença e sobre os seus rituais. A nós chegaram informações através de Tertulliano e outrs escritores cristãos que escreveram com intenção de denegrir a imagem desta religião e dos seus adeptos. O pouco que se sabe hoje é o resultado de pesquisas sérias iniciadas não antes de um grande convenho realizado nos anos '80 para distmistificar uma série de informações errôneas divulgadas no passado pelo belga Franz Cumont.

Nicho e relevo com imagem de Mitra

Sabe-se com certeza que esta era uma religião monoteísta, praticada exclusivamente por homens; que era uma religião iniciática, e compendiária (isto é, que quem a praticava podia praticar outras religiões, como o culto dos deuses pagãos).

Fato é que hoje os estudiosos calculam que na capital do antigo império romano, isto é, Roma, existessem entre mil e mil e quinhentos mitreus (em ÓstiaAntiga sabe-se da existência de dezoito). O mitraísmo persa teria chegado à Roma após a conquista da Grécia e da Ásia Menor, e atingiu o máximo da sua popularidade entre os séculos III e IV d.C., sendo proibida a sua prática após o Decreto (Edito) de Teodósio de 391, que oficializava o cristianismo como religião de estado. Após esta data, seguramente o culto amado pela alta classe do exército e dos administradores de Roma teria continuado a ser praticada, mas clandestinamente. Em parte muitos mitreus e suas estátuas de culto e decorações foram destruídos para dar lugar à nova religião cristã.

Altar principal do Mitreu do Circo Maximo


Uma vez que você se apaixona pela história de Roma, faz parte transformar-se num “viciado em mitreus” como eu e querer visitar todos os mitreus abertos à visitação para poder observar as diferenças na decoração, os pavimentos com os mosaicos dos sete graus de iniciação da religião, as estátuas de culto (na maior parte em museus) e assim por diante. Eram anos que esperava para descer no mitreu do Circo Máximo, e isso finalmente aconteceu na semana passada!

Templo de Hercules Olivario e Portunus, Foro Boario

A 14m abaixo do nível do solo que pisamos hoje existe este mitreu, que muito provavelmente era ligado aos trabalhadores do próprio circo, dado que a religião era “vicinal”, isto é, os lugares de culto eram frequentados por pessoas que moravam ou trabalhavam nas proximidades do mesmo. A descoberta deste lugar deu-se nos anos '30, quando restruturavam o palácio para conter os costumes do Teatro da Opera de Roma.
Este mitreu é muito menor do que imaginava, pois o confundi com o das Termas de Caracalla, que dizem ter sido o maior mitreu do inteiro império. Em todo o caso é sempre interessante passear nos subterrâneos da cidade, pois é um modo de aprofundar o conhecimento da cidade e das várias fases do seu desenvolvimento.

Relevo e painel explicativo da religião de Mitra


A entrada ao mitreu era na rua perpendicular aos “carceres” isto é, de onde partiam os cavalos para as corridas na parte retilínea do Circo Máximo e já no passado era abaixo do nível da rua. Logo à direita existia um pequeno ambiente onde acredita-se que fossem guardados objetos e roupas ligadas ao culto, os “apparitoria”; além disso, antes de poder entrar no templo, as pessoas (só homens, como disse anteriormente!) passavam por um período de catequização e não podiam partecipar à cerimônia, permanecendo numa área denominada hoje de “schola mitraica”. Nos nichos da entrada acredita-se que fossem expostas duas esculturas de Cautes e Cautópates, os deuses ligados ao nascer e ao por-do-sol. Em direção ao altar, existiam os longos bancos onde eram dispostos os adeptos para consumar uma “refeição ritual” composta por pão e água.
No fundo existia a estátua ou relevo de maiores dimensões com o deus Mitra, sempre representado durante o momento no qual mata o touro ou “tauroctonia” e dá origem à vida na Terra.



Palácio e subterrâneos onde se encontra o Mitreu do Circo Maximo


Este mitreu pode ser aberto sob solicitação de associações culturais para no máximo 25 pessoas e se você e seu grupo de amigos já forem “viciado em Mitreus”, podemos abri-lo exclusivamente para você!

Para visitar Roma com uma guia particular  por favor preencha os dados da sua viagem aqui: http://www.guiabrasileiraemroma.com.br/contato

quarta-feira, 22 de março de 2017

São Pedro em Montorio

Durante a Idade Média contava-se uma lenda em Roma na qual São Pedro teria sido martirizado no alto do Gianícolo. Em homenagem ao apóstolo e segundo esta lenda, foi construída a Igreja de São Pedro em Montório – a palavra "Montório" seria uma corruptela da denominação “Monte Áureo”, como era chamado a colina do Gianícolo na Antiguidade.

Igreja de São Pedro em Montório

No IX século foi construída a primeira igreja dedicada a São Pedro mártir. No último quarto do século XV o rei Fernando II de Aragão mandou construir uma igreja dedicada a São Pedro para susbstitur a igreja medieval.

 Nave central de São Pedro em Montorio

Supõe-se que a sua arquitetura seja de nomes do calibre de Baccio Pontelli (igreja) e Andrea Bregno (fachada), originalmente com tímpano e rosácea (que ainda existe) e escada com duplo acesso.

Contra-fachada igreja São Pedro Montorio

Como temos poucas testemunhas do Renascimento em Roma, esta é uma oportunidade para ver uma elegante igreja deste período, muito provavelmente construída com mármore reciclado do Coliseu.

Altar e transepto de São Pedro em Montório

A igreja é pouco iluminada e vale à pena fazer uma doação e pedir para os sacerdotes acenderem a luz (final da nave à direita tem uma campainha). A nave central é larga, nos faz pensar à arquitetura do período após o Concílio de Trento (1545-63) com foco no altar.
Na contra-fachada temos o monumento funerário de Giuliano da Volterra, 1510, da escola de Andrea Bregno. 

Afrescos nave central São Pedro em Montorio

Na primeira capela à direita da entrada existe um óleo sobre muro da “Flagelação de Cristo” de Sebastiano del Piombo (supostamente feito segundo um esboço de Michelangelo) que é maravilhoso. Se forem nos próximos dias à Galleria Borghese, é interessante comparar a pintura da galleria com o óleo da igreja (muito mais vivaz e emocionante).
Na segunda capela da direita, “Virgem da Carta”, lindo afresco que no passado foi atribuido a Niccolò Circignani (também chamado de Pomarancio, o pintor da linda São Estevão Redondo ), hoje atribuida ao Lombardelli. A linda “Coroação de Maria” é da escola do Pituricchio.

Capela realizada por Bernini, Sao Pedro em Montorio
Êxtase de São Francisco, de Francesco Baratta, aluno de Bernini

Os afrescos da nave da direita são atribuidos a Baldassare Peruzzi, o arquiteto da VillaFarnesina (!).

São Pedro Montorio, Giovanni De Vecchi

Na primeira capela da esquerda, temos um afresco de Giovanni De Vecchi de 1594 com as “Estigmas de São Francisco”. A segunda capela tem arquitetura do grande Bernini com o “Êxtase de São Francisco” de um aluno grande mestre. A terceira capela da esquerda tem uma Virgem de Antoniazzo Romano, grande pintor do período renascentista de Roma e na quarta capela já “bem barroca”, decoração em gesso do Stefano Maderno que nos prepara para o Barroco que nos espera em Nápoles ou na Sicília.

Virgem com menino Jesus, Antoniazzo Romano

O teto do transepto é pura matemática e domínio da luz: aqui se vede a maestria do arquiteto que faz com que a luz seja filtrada criando uma atmosfera mística no ambiente inteiro.

Monumento fúnebre da escola de Andrea Bregno

Apesar desta igreja ser um brinco, a sua particularidade é a obra-prima do Bramante, que realizou o “Tempietto” (Templinho em português) no lugar onde supostamente São Pedro teria sofrido o martírio, e por esta razão a planta do pequeno edifício é circular. A data da construção não foi completamente esclarecida; acredita-se que tenha sido entre os anos de 1508-1512. Aqui comemora-se a correta utilização dos elementos clássicos das ordens dóricas e tuscânicas e que fazem deste pequeno templo um exemplo da perfeita relação dos seus volumes que influenciou toda a arquitetura do século XVI em Roma. No seu interior o pavimento é cosmatesco e a estátua de São Pedro é de um artista da Lombardia.

Flagelação de Cristo, Sebastiano del Piombo

Vale à pena visitar esta igreja quando estiver em Trastevere, inciando ou terminando o seu passeio aqui.

Endereço: Piazza di S. Pietro in Montorio, 2, 00153 Roma
Horário de abertura: das 08h às 12h; das 15 às18h 

domingo, 19 de março de 2017

São Jorge al Velabro


Arco de Jano al Velabro

Na zona em que alguns ousariam chamar de “Berço da Civilização”, existe uma igreja que talvez tenha já sido construída no VI século, provavelmente adaptando uma antiga “diaconia”, isto é, um lugar onde cristãos distribuiam grãos e cereais à população carente, provavelmente coisa que aqui acontecia num edifício anterior à construção da igreja, mas com função análoga, desde os tempos romanos.

Fachada da Igreja de São Jorge al Velabro

O lugar é fundamental para a história de Roma, pois a lenda nos conta que foi aqui mesmo que a cestinha com os gêmeos Remo e Rômulo teria vindo parar uma vez abandonada no rio Tibre; neste lugar a loba teria encontrado os gêmeos. Lendas à parte, a razão da fundação da cidade de Roma teria sido o comércio que existia aqui entre gregos e etruscos, no famoso “Foro Boário”, isto é, trocando em miúdos, a feira de animais da época arcaica. Aqui perto temos a ilha Tiberina, que facilitava a travessia do rio e muito provavelmente também contribuiu à fundação da cidade de Roma.

Arco de Jano e Campanário da Igreja de São Jorge al Velabro

Os arredores desta zona são cheios de história e ainda contém detalhes arquitetônicos e de engenharia interessantíssimos, como o mais antigo templo que chegou até nós, o Templo de Hércules, o Templo de Portunus e o Teatro Marcelo e a rede de esgotos do VI séc. a.C..

Interior da Igerja de São JOrge al Velabro

Hoje em dia vemos também dois arcos importantes: o “Arco dos Argentários” (Arco degli Argentari), que não tem forma de arco mas é assim chamado, e foi um monumento realizado pela corporação dos trocadores de dinheiro e dedicado ao imperador Setímio Severo (relevos dele e da sua família na decoração do seu interior) no III séc. d.C.. e o arco é o “de Jano”, que provavelmente não tem nada a ver com a antiga divindade, mas foi um arco que comemorava a vinda de Constâncio II à Roma.

Cibório e afresco abidal de São Jorge al Velabro

A fachada da igreja de São Jorge al Velabro é diferente da maior parte das igrejas de Roma por conservar a arquitetura românica no panorama predominantemente barroco da cidade: é uma visão maravilhosa passar por aqui durante o dia. No portico podemos ver algumas aberturas no chão que nos mostram o nível e decoração pavimental do período anterior à construção da igreja. O campanário é do século XIII e ocupa boa parte da nave da esquerda, onde existem alguns fragmentos de esculturas marmóreas que formam uma pequena, mas quase museal, galeria lapidária, entre as quais o delicioso relevo da Anunciação a Zacarias, iconografia palestina do IX século.

Colunas em mármore pavonazzetto da Igreja de São Jorge al Velabro

O interior é composto por três naves, ábside e cibório sobre os espólios de São Jorge, que corresponderia à metade do crânio do santo. As colunas são de espoliação (isto é, material reciclado de monumentos romanos), sendo que as duas primeiras da direita são consideradas particularmente preciosas por serem com canaluras e de mármore pavonazzeto (um mármore da Ásia Menor que tem estrias que parecem do rabo do pavão, daí o nome).

O pavimento do altar é cosmatesco em uma composição pouco comum em xadrez.

Relevo com anunciação a Zacarias, Igreja de São Jorge al Velabro

O afresco absidal é um tema controverso. A última teoria nos apresenta um trabalho do jovem Pietro Cavallini (1288), anterior ao Coro das Monjas da basílica de Santa Cecília em Trastevere – logo mais vou falar destes afrescos. Este seu trabalho representa o Cristo redentor entre a Virgem e os santos Jorge (à esquerda) e Pedro e Sebastião (à direita) em uma composição ainda insegura: do ponto de vista da representação dos personagens e do ponto de vista da habilidade em lidar com as cores.

Pavimento cosmatesco da ábside em xadrez, São Jorge al Velabro

A igreja sofreu um atentado no ano de 1993 que destruiu o pórtico, transformando-o em fragmentos recolhidos em mil caixas logo após um grande restauro, mas foi rapidamente e inteiramente reconstruída pelas fantásticas mãos mágicas dos excepcionais restauradores.
 
Imagem de livro "Le chiese di Roma" de Carlo Rendina da Igreja de São Jorge al Velabro no século XVIII

Endereço da igreja de São Jorge al Velabro
Via del Velabro, 19

Para fazer um passeio com guia particular com a gente, por favor preencha seus dados aqui: http://www.guiabrasileiraemroma.com.br/#!contato/c1lmm

Bibliografia:
Guida Roma - Touring Club Italiano, 1993
Le chiese di Roma, Claudio Rendina, 2010
Aulas Prof. Simona Lupinacci

sábado, 4 de março de 2017

O Colombário de Pomponius Hylas


Subterraneos de Roma - O Colombário de Pomponius Hylas

Lá vem subterrâneos de Roma!

Os subterrâneos de Roma nos presenteiam com um pequeno cemitério, um ambiente de apenas 4x3m e ~6m de altura perto dos Muros Aurelianos e da Via Appia, coisa que não nos surpreende, pois esta zona era uma zona cheia de tumbas e sepulturas, dado que as leis antigas não permitiam enterrar os mortos dentro dos limites da cidade.

O espaço subterraneo

O “colombarium” é um tipo de sepoltura pequena para corpos cremados, assim chamado pela semelhança com a qual os pombos (“colombe”) fazem seus ninhos encaixados em pedras de muros: abriam-se pequenas cavidades em forma de arco que eram decoradas com colunas, figuras em gesso policromático, ou afrescos.

Monumento funerário subterraneo com decoração em gesso policromático

O Colombarium de Pomponius Hylas é assim chamado pois um dos nomes que melhor se lêem neste lugar é esse mesmo; mas quem foi o fundador desta sepultura foi Granius Nestor e Vinileia Hedone, segundo o Prof. Coarelli, outros nomes que se lêem bem em um segundo momento, já no interior do colombário.

Teto afrescado com mito de Dionisio

O fascínio deste lugar está na decoração, que foi realizada há dois mil anos atrás e chegou em excelente estado de conservação até nós!

Decoração em gesso policromático com mito de Quiron

As tumbas são realizadas como pequenos templos: tímpano sobre colunas ( a mais importante delas em estilo dórico, pouco comum em Roma) sobre a qual foram aplicadas figuras em gesso que contam mitos de Dionísio; nas figuras antopomorfas da sepultura principal, que não foram identificadas e são lindas, vemos duas figuras femininas correndo nas extremidades da direita e da esquerda, com uma cena de duas pessoas que parecem tocar algum instrumento no centro – tudo muito de acordo com o resto da decoração que tem como tema principal o Dionísio, deus do êxtase, do vinho, da energia vital impregnada em toda forma de vida – aliás, estas figuras representam uma visão da morte no I século d.C., que é quase comparável à visão cristã do Paraíso, do “estar bem no além”.

Eu, maravilhada com a decoração das sepulturas

Outros mitos representados aqui são o Centauro de Quíron e Aquiles, bem como o suplício de Ocno.

Decoração em gesso policromático com mito de Ocno

Este passeio estará disponível logo mais com a gente, pois fica em um lugar fechado que abre excepcionalmente, com número máximo de 8 pessoas, sob reserva telefônica à Superintendência dos Bens Culturais.

Bibliografia:
"Guida archeologica di Roma", F. Coarelli
Aulas com o arqueólogo Claudio Bottini

 Para reservas de passeios com guia particular, por favor entre em contato por email através da página http://www.guiabrasileiraemroma.com.br/#!contato/c1lmm de modo que recebamos já todos os dados da sua viagem para poder enviar o quanto antes uma proposta de intinerário.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

A Fonte das Tartarugas

A Fonte das Tartarugas

Essa fonte nos surpreende pela sua originalidade, elegância e beleza durante uma caminhada pelo bairro judeu, entre o Rio Tibre a a Área arqueológica de Praça Argentina.
No final do século XVI, após ao trabalhos de conserto e restauro do antigo aqueduto de Água Virgem (que alimenta a famosa Fontana di Trevi), foi determinado que seriam construídas novas fontes. Graças à influência política de um nobre que tinha a mansão da sua família alí perto (os Mattei), o projeto desta fonte era localizado a poucos metros do seu palácio, que garantia pavimentar a praça e fazer a manutenção da limpeza.

A Fonte das Tartarugas, passeios em Roma

À construção da fonte é também ligada uma lenda cujo personagem principal é, claro, um duque da família “Mattei”, que teria perdido muito dinheiro no jogo durante uma noite, e que por esta razão teve a mão da sua futura esposa recusada pelo pai. Para reconquistar a confiança do pai da garota, o duque realizou uma grande festa que durou até à madrugada, e durante este arco de tempo mandou realizar a fonte. Na manhã seguinte ele pegou o pai da sua “ex”-futura noiva e disse: “Veja o que é capaz de fazer em poucas horas um Mattei falido!”. Segundo a lenda, o duque teria conseguido de novo, ter a mão da garota em casamento – e mandou murar a tal janela.

A Fonte das Tartarugas

Lenda ou não, sabemos que o florentino Taddeo Landini realizou esta fonte muito graciosa com meninos, “éfebos” realizados em bronze, apoiados sobre golfinhos, que por sua vez estão apoiados sobre bacias em forma de concha e que jogam com a água. A particularidade desta fonte não é só o tema, mas a riqueza dos cinco tipos de mármore utilizados na sua construção.

A Fonte das Tartarugas

As famosas tartarugas que dão o nome à fonte foram uma ideia do grande Gian Lorenzo, o Bernini, realizadas durante o restauro da fonte, a menos de cem anos da sua construção. A fonte já tinha conchas, garotos e golfinhos, mas não é que as tartarugas dão uma graça ainda maior a esta fonte?!

Para fazer um passeio em português pela cidade de Roma com a gente, de dia ou de noite, por favor entre em contato com a gente através da página http://www.guiabrasileiraemroma.com.br/#!contato/c1lmm e nos conte as datas da sua viagem, quantas pessoas estarão com você e se há crianças no grupo.

Endereço: Piazza Mattei

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Teatro Marcelo de Roma

Teatro Marcelo de Roma

 Depois do Coliseu e bem perto do centro histórico você vai encontrar uma das estruturas arquitetônicas da antiguidade mais impressionantes que chegou até nós depois do Coliseu e do Castel Sant'Angelo: o Teatro Marcello, inaugurado no ano de 17 a. C., isto é, mais antigo do que ambos os outros monumentos citados.

Teatro Marcelo de Roma e templo de Apolo Sosiano

O Teatro Marcelo foi realizado pelo imperador Augusto em homenagem os seu sobrinho e único possível herdeiro que se chamava Marcelo (morto prematuramente  e em circunstâncias pouco claras - coincidência?!), dado que Augusto e Lívia não tiveram filhos homens.  O teatro tem uma grande semelhança com o Coliseu e provavelmente serviu como modelo para este último. Aqui aconteciam espetáculos teatrais e a sua inauguração foi sob o principado do próprio Augusto, em ocasião dos "ludi secolari", com espetáculos teatrais e sacrifícios para comemorar a 'virada do século', que para os romanos tinha a duração de 100-110 anos, "o maximo que durava a vida humana". 
O tufo e o travertino, materiais de construção

A "arquibancada" ('cávea') era originalmente semi-circular com 130m de diâmetro de tipo "romano", isto é, não precisava de acidentes geográficos como colinas pois era erguida através da astúcia dos arquitetos romanos, sobre arcos.  O material de construção é o tufo ( como o Coliseu), obra reticulada e tijolos, revestido por blocos de mármore branco.

Linda vista com o Teatro Marcelo, Templo de Apolo Sosiano e a cupola da Sinagoga de Roma
As chaves dos arcos do lado exterior das arcadas inferiores tinham decorações com máscaras teatrais de mármore que representavam a tragédia, a comédia, o drama e a sátira. Estamos falando mais uma vez de uma decoração luxuosíssima que infelizmente não chegou até nós; temos que nos considerar sortudos por ter boa parte de muro e do revestimento em mármore travertino.
Estruturas revestidas e travertino e o material de construção: tufo

Como no caso do Coliseu, os números de espectadores são estimados e não 100% exatos, no caso do Teatro Marcelo, acredita-se que a capacidade fosse entre 15.000 e 20.000 lugares.

O teatro funcionou até o V séc. d.C. e durante a Alta Idade Média foi ocupado pela família "Fabi", depois utilizado como forte pela família de nobres "Pierleoni", cuja mansão ainda existe em parte ali perto. O palácio passou às mãos dos "Savelli" e  foi restruturado por um grande arquiteto, Baldassare Peruzzi (séc. XVI), que adicionou o edifício no último andar que ainda existe, para depois passar aos "Orsini".

A mansão da família Pierleoni em Roma

No início do século XX o teatro pertencia ainda à família dos "Orsini" e foi expropriado pelo estado, assim como as pequenas oficinas de artesãos que ocupavam as suas arcadas inferiores. Não se maravilhe com as pequenas janelas da construção superior, pois, sim, existem pessoas que moram em apartamentos ali dentro - luxo maior não existe, certo?! 

Hoje acontecem espetáculos de música durante o verão e este complexo de área arqueológica é um dos cantos mais especiais de Roma para quem gosta de arqueologia, junto com os restos do templo dedicado a Apolo ( templo chamado Apolo Sosiano, logo mais vou escrever sobre ele) e vários outros edifícios nas imediações.

Esta área arqueológica é gratuita; visite-a com o devido respeito.

Endereço:  Via del Portico d'Ottavia, 29
Horário de abertura: Primavera-Verão: 09-19h; Outono-Inverno: 09-18h