terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Quem não gosta de Armani?

Como um antigo navegador, Giorgio Armani e a sua grife conquistam povos do Ocidente e do Oriente com a elegância e simplicidade. A marca nasceu dia 24 de Julho de 1975 e desde então tem sido cuidadosamente alimentada com a fantasia do seu proprietário e guru, alcançando sempre novos horizontes. Em 1985 morreu o sócio fundador de Armani, Sergio Galeotti, deixando-o como único acionista e presidente do Conselho de Administração deste império. Qual é o segredo de Giorgio? Nada sob o seu dominio é deixado ao acaso; nem mesmo o menor detalhe. Movimentos no mercado financeiro, estratégias de mercado, até mesmo a expansão ao difícil mercado japonês são temas da pauta deste gênio. Acordos foram feitos com a L'Oreal e até com o famoso grupo Zegna. As campanhas publicitárias são estudadas e escolhidas nos mínimos detalhes, até o olho mágico de Martin Scorsese não escapou: o grande diretor de cinema chegou a dirigir mais de um dos seus fimes publicitários.

Além das elegantes roupas, também levam a famosa "A" flores, perfumes, cafeterias, sushi bares, óculos (através de um acordo com a Luxottica em 1988), e os famosos relógios de cor branca, uma das preferidas do estilista.

Hoje contam-se mais de 300 vetrines que iluminam ruas em todo o planeta a marca Giorgio Armani!
Em 1979, a maison lançou as novas linhas: Le Collezioni, Armani junior, Giorgio Armani Accessori, Giorgio Armani Underwear e Giorgio Armani Swimwear. No início dos anos '80 nasceram Armani Jeans e Emporio Armani, e as primeiras boutiques "Emporio Armani" e "Giorgio Armani", ambas em Milão.

Uma joint venture com as empresas Itochu Corporation e Seibu Department Store fez nascer em 1987 a divisão nipônica "Giorgio Armani Japan".

Entre as personalidades que nos convidam a vestir Armani, contamos com Milla Jovovich, Christin Scott Thomas e Oliver Martinez.

Em 1999, laçou o site www.armaniexchange.com, dedicado à clientela americana. Depois disso o sucesso da internet o impôs a lançar www.giorgioarmani.com, o site oficial. Para saber das novidades para a casa, acesse www.armanicasa.com. Mais de dez temas para grifar a sua casa, do teto aos alicerces. Isso para nao falar dos doces da Armani/Dolci, a ultima moda em chocolates.

Giorgio Armani foi escolhido pela revista "TIME" como um dos personagens mais influentes do século XX e nada o pode parar: nao deixe de visitar as suas lojas e acompanhar as novidades deste grande personagem do "made in Italy" do nosso século.

A Armani colabora desde 2006 com a marca non-profit Red, que produz óculos e relógios. Em 31 de Janeiro de 2009 deu-se inicio ao Progeto Acqua For Life, onde cada confecção do perfume Acqua di Giò vendida, 1 dólar é doado ao Unicef Tap Project, que tem como objetivo levar agua potavel à crianças em paises africanos.

Não deixe de visitar um dos seus endereços mais importantes, a Armani da via Manzoni, 31 em Milão. Lá voce vai encontrar livros, objetos de decoração para casa, perfumes e um super-exclusivo restaurante, o Nobu (para quem curte a cozinha japonesa) - tudo sob a direção da marca Armani. Digno de menção é também o endereço de via Bergognone 59, projetado pelo famoso arquiteto japonês, Tadao Ando, construção que abrange também o Teatro Armani.

Aqui os endereços Armani em Roma: http://guiaderoma.blogspot.com/2011/01/castel-romano-outlet.html

domingo, 29 de janeiro de 2012

PÁSCOA 2012 - Domingo de Ramos

"(...) A natureza não tolera uma imediata passagem de um extremo ao outro sem a mediação das sombras. (...) A sombra prepara a vista para enxergar a luz. A sombra amansa a luz. (...) Aprenda a reconhecer as sombras que não se dissolvem, mas preservam e protegem em nós a luz que nos estimula e conduz à inteligência e à memória (...)"

Giordano Bruno, Sombra das idéias

Giordano Bruno em Campo de Fiori

SEMANA DA PÁSCOA 2012

A simbologia da religião cristã, origem da arte ocidental, é particolarmente interessante durante a Páscoa, pois morte e ressureição são um tema tão velho quanto o Homem; vemos uma faceta importante do desenvolvimento da consciência humana .

Buscar um significado para a existência e interferir no processo simbólico que envolve esta questão com a produção de imagens são a razão da minha vida; mesmo que eu pareça lunática para os teus olhos, eu e você procuramos a mesma coisa no nosso dia-a-dia. Os nossos caminhos podem ser diferentes, mas isso faz a nossa conversa ficar mais interessante. Ir à Roma é celebrar a consciência humana e viver a Arte em primeira pessoa.

Tímpano da Basílica de S. Pedro

Na Igreja San Luigi de Francesi pude admirar várias vezes (até diria de boca aberta) a maravilhosa pintura do Martírio de São Mateus de Caravaggio (1573-1610).
Observe o quadro no escuro, pois quando ele foi feito não existiam os holofotes que o iluminam hoje, e tente imaginar o efeito que ele causava nas pessoas no final do século XVI; não se envergonhe em esticar o braço e colocar 1 euro para iluminá-lo: faz parte do programa e outras pessoas vão seguir você depois que o fizer! Olhe como aquele anjinho delicadamente aparece da nuvem com uma palma, símbolo do martírio. Engraçado como o caráter revolucionário e briguento do Caravaggio era capaz de reverenciar tamanha delicadeza!

Martírio de S. Matheus, close up do anjo, copyright de público domínio

Sinta o cheiro do delicioso incenso da igreja... observe a intensidade com a qual este pintor vivia a vida ao através das suas pinceladas imperceptíveis nas passagens de luzes às sombras e vice-versa nesta cena tão atroz. Observe os corpos musculosos dos mercenários que executam o martírio do Santo depois do seu sermão e a calma com a qual os personagens seminus embaixo à direita observam uma cena tão violenta! Na Terra vemos a violência; no céu, a salvação.

Martírio de S. Matheus, copyright de público domínio

O Domingo de Ramos é comemorado uma semana antes da Páscoa e marca o início da Semana Santa que termina com a nona hora da Quinta-feira Santa, quando inicia o Sacro Tríduo Pasquale.

Esta festa é comemorada por Católicos, Ortodoxos e Protestantes.

No calendário litúrgico católico, o Domingo de Ramos é celebrado um Domingo antes da Páscoa e comemora a entrada de Jesus em Jerusalém, onde ele entrou sobre uma mula (símbolo de pobreza) e foi recebido como um rei pela multidão, que lhe trazia ramos de palmeiras.

Fonte na Praça S.Pedro

ABRIL 2012

Dia 1 - Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor
Onde: Piazza San Pietro, 9.30h
CAPELA PAPAL
Benedição dos Ramos, Procissão e Santa Missa

Dia 5 - Quinta-feira Santa
Onde: Basílica Vaticana, 9.30h
Santa Missa da Crisma
Basílica de São João em Latrão, 17:30h
CAPELA PAPAL
Início do Tríduo Pascoal
Santa Missa na Cena do Senhor

Dia 6 - Sexta-feira Santa
Onde: Basílica Vaticana, 17:00h
CAPELA PAPAL
Celebração da Paixão do Senhor
Coliseu, 21:15h
Via Crucis

Dia 7 - Sábado Santo
Onde: Basílica Vaticana 21:00h
CAPELA PAPAL
Véspera Pascoal na Noite Santa

Dia 8 - Domingo de Páscoa
Onde: Piazza San Pietro, 10:15h
CAPELA PAPAL
Santa Missa do Dia
Loggia central da Basílica Vaticana, 12:00h
Benedição "Urbi et Orbi"

Missa em português: Igreja de Santa Maria della Luce - Via Lungaretta, 22a - Roma
Todos os domingos:
16h: Formaçao Bíblica
17:30h : Missa em português

1° Domingo: almoço e Missa dos dizimistas
Último domingo: comemorações dos aniversários

Quintas-feiras:
16:30h : Lectio Divina e Missa em português

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

OS MÁRMORES ANTIGOS


Quem viaja à Roma, não pode ficar indiferente à quantidade de mármore usado nas construções da cidade, nas esculturas, nos detalhes em todo o lugar. De onde veio todo esse mármore? Quais são as pedreiras principais e qual a história deste material?
Graças a este lindo trabalho com um resumo interessantíssimo das relações que envolveram a extração do mármore e o seu comércio no tempo dos romanos.


Variedade de mármores antigos encontrada no Palatino; no Museu do Palatino

OS MÁRMORES ANTIGOS
de Giovanni Guasparri
Superintendente da Seção Geológica do Museu de História Natural da Academia dos Fisiocríticos de Siena
Tradução de Patricia Carmo Baltazar

Os mármores da antiguidade constituem um dos temas mais estudados e de relevante significado histórico, artístico e científico, entre os materiais do patrimônio lapidário.
A seguir, vamos enumerar os aspectos essenciais que determinam o interesse sobre estes materiais, começando pelo valor histórico.

Neste contexto é importante salientar que mármore não é somente a rocha derivada da metamorfose de rochas carbonáticas, como nos diz a petrografia, mas sim o que entendemos sob o aspecto comercial e significado etimológico (do grego marmairo = resplender).

Mármores são todas as rochas que ao ter as suas superfícies lixadas, tornam-se brilhantes.

Entre os mármores antigos encontramos diversos tipos de rochas: das ígneas às metamórficas, às sedimentárias. Esta notável discrepância da classificação científica causa, como veremos adiante, problemas de identificação e de nomenclatura relativos à complexa história destas pedras.

Arco de Constantino, Foro Romano

Acontecimentos históricos

No sentido clássico da denominação, os mármores antigos são aqueles extraídos e utilizados no período do Império Romano; na literatura específica encontram-se variedades que entraram em uso durante o Renascimento e até em época relativamente mais recente.

Os momentos mais importantes da história dos mármores antigos podem ser resumidos da seguinte maneira:

1) Desde o período tardio-republicano, os mármores chegavam à Roma exclusivamente por iniciativa privada. A sua utilização era limitada à realização de esculturas e sarcófagos. O mármore grego, em particular o Pentélico, era certamente o mais difundido mármore branco da Attica e foi com este material que o Partenon foi construído em Atenas.
Entre os séculos II e I a.C., com a conquista quase integral do leste do mediterrâneo, as monarquias helenísticas deixaram uma herança de valor cultural à classe governante romana, que se apropriou dos valores ideológicos ligados à utilização do mármore branco e das pedras coloridas. O caráter monumental da arquitetura foi assim introduzido aos santuários laciais ( Magna Mater no Palatino, Hércules, em Tivoli), nos pórticos e nos templos (Victória no Palatino ou Concórdia no Foro Romano).

Diana de Êfeso, Museus Vaticanos

Nas casas da aristocracia romana do final da República (510 - 27 a.C.), o mármore representava o status do seu proprietário. Além da utilização arquitetônica, é importante sublinhar a utilização do mármore na decoração de interiores, como por exemplo, nos pisos e paredes construídos em opus sectile (obra cortada, em latim. Trata-se de uma técnica de arte e decoração onde peças de pedras coloridas são arranjadas em painéis compondo uma imagem. A técnica é similar à do mosaico, mas ao contrário deste, que usa peças pequenas e regulares, o opus sectile emprega peças maiores de formas variadas. - Wikipedia, (n.t.)), isto é, com fragmentos de mármores inseridos nos pisos dos ambientes principais das casas, painéis com temas geométricos e figurativos (como por exemplo, o piso do Duomo de Siena, realizado depois do séc. XIV e inspirado por esta técnica antiga).

Escultura do Cemitério Acatólico

2) O Império Romano despertou um enorme interesse pelos mármores policromáticos. Cada território do império fornecia a sua quota de pedras à Roma: a Espanha, a Gália, a Grécia, a Ásia Menor, o Egito, a Tripolitânia, a Numídia, a Mauritânia, e naturalmente, a Itália. Praticamente não existe nenhum tipo de mármore da mais remota colônia do Império que não tenha sido em algum modo utilizado em Roma, ou do qual não se tenham encontrado resquícios durante as escavações, arqueológicas ou não, no nosso tempo ou antigamente.

Apolo do Belvedere (224cm), Museus Vaticanos (segunda metade do séc. II a.C) - cópia de original em bronze do escultor grego Leocares (entre os anos de 325-350 a.C.)

Em todas as pedreiras conhecidas dos países do Mediterrâneo e também nas últimas exploradas existiu uma atividade extrativa intensa. Na gráfica ao final da pèagina poderemos localizar as principais pedreiras. A administração e a extração nos locais mais importantes eram gerenciadas diretamente por fiduciários do império; essas pedreiras eram chamadas de imperiais. Aquelas de menor importância eram dirigidas por contratantes. A organização desta atividade era extremamente hierárquica: no nível mais alto tinha um centurião ou um procurador, até chegar aos pedreiros, que eram escravos condenados por delitos comuns (damnati ad metalla, eram denominados geralmente os indivíduos que trabalhavam como mão de obra nas pedreiras). Os mármores eram então transportados pelas naves lapidariae, que tinham uma capacidade para transportar de 100 a 300 toneladas de mármore. O destino principal era, naturalmente, Roma, e o cais era o statio marmorum de Ostia, perto da foz do rio Tibre. Daqui os mármores subiam o rio em direção aos armazéns, em particular na zona aos pés da colina do Aventino (chamada "Marmorata"), para o Campo Marzio (onde eram vendidos aos artesãos das oficinas dos marmoreiros), ou ainda para a zona entre as igrejas de Santa Maria em Vallicella e Sant'Apolinário. O rio Tibre continuou a manter a função de transporte comercial dos mármores até pelo menos a metade do século XVII, como demonstram algumas oficinas de marmoristas deste período.

Antinoo

Restos de naves afundadas no Mediterrâneo nos nossos dias nos permitiram reconstruir as suas rotas principais. Tais achados comprovam também que as naves transportavam não somente blocos de mármore, mas também elementos arquitetônicos e outros tipos de manufaturas esculturais em diversos estados de desenvolvimento, como colunas, bases, capitélios, estatuas, sarcófagos e elementos de decoração.

Opus sectile, Museo Palatino
 
O primeiro imperador, Augusto (63 a.C- 14 d.C.) se vangloriava de ter iniciado o seu governo em uma cidade construída em tijolos e de a ter deixado com o esplendor dos mármores policromáticos.

Pavimento em Mosaico, dos irmãos Cosmati

3) A partir do final do séc. III, os mármores preciosos começaram a se exaurir e os preços a subir: iniciou-se um rápido declínio da época fabulosa do mármore em consequência da crise econômica do império. Foram promulgadas leis para estimular a iniciativa privada: a primeira lei foi feita por Constantino, em 320.

Depois chegou a época da decadência medieval. O cristianismo se afirmou como religião e em seu nome foram construídas e decoradas igrejas em Roma, com a utilização de mármores antigos de templos pagãos e do império; grandes basílicas, batistérios e catedrais, até de outras cidades da Itália, reciclaram estes mármores romanos. A própria Roma virou a maior pedreira de todos os mármores que tinham sido importados durante o período tardio-republicano até o V século, vendo construções antigas serem transformadas em altares, tabernáculos, púlpitos, degraus, pisos e até mesmo alicerces ou simplesmente transformadas em cálcio.

Exemplo de decoração parietal em opus sectile, Palatino, Museu Palatino


Os mármores abandonados em Marmorata constituíram uma pedreira inexaurível de restos de mármores antigos, desfrutada desde os últimos anos do império até o início do século XX. Esta zona foi intensamente escavada por arqueólogos desde o século XIX.

Fontana em mármore branco, no Parque de Villa Borghese em Roma

4) Durante o Renascimento, quando o gosto pela arte clássica e a destreza técnica das artes da pedra foi despertado, o uso dos mármores antigos voltou a ser um grande atrativo no revestimento de altares e capelas de família no interior das igrejas, além de novas preciosas manufaturas, como mesas, móveis e arredos, inspirados pelo opus sectile antigo, que se encontram nos principais museus e coleções de arte do mundo. Entre estas manufaturas particularmente famosas estão as da produção do Opifício das Pedras Duras de Florença, que surgiu no século XVI, por ordem da família dos Medici (o Opificio existe ainda hoje e é um departamento do Ministério dos bens Culturais, de cuja atividade principal é atuar na conservação de obras de arte, n.t.). Em Florença, por estímulo do Granducato, existiu uma grande estocagem de mármore: as coleções de arte se multiplicaram, textos foram escritos com a intenção de recuperar o significado histórico dos mármores e os léxicos técnicos dos antigos escultores.

Fontana em travertino, Roma

5) Com o florescer do interesse pelos mármores coloridos, nasceu também, sobretudo em Roma, uma espessa rede de “procuradores” (aspas são minhas), comerciantes e artesãos ambiciosos que tentavam lucrar com a mistura de diferentes tipos de mármores antigos com outros parecidos e de qualidade inferior. Estes últimos vinham de pedreiras que recentemente tinham entrado em atividade. Por exemplo, o “giallo di Siena della Montagnola” de Siena, que começou a ser extraído a partir do século XVII (ou cuja extração começou a prosperar depois deste período), começou a substituir o “Galo Antico”, que vinha da Numídia; o granito rosa da Sardenha e o cinza de Elba substituíam os granitos do Egito.

Na onda de entusiasmo deste novo interesse que tinha sido “redescoberto”, faziam-se exposições destas manufaturas, e até o colecionismo destas peças começou a proliferar-se, sobretudo nos séculos XVIII e XIX, muitas vezes acompanhados de uma catalogação dos exemplares. A primeira pessoa que catalogou os mármores antigos foi Plínio (23-79d.C.), que dedicou um inteiro livro da sua grande obra Historia Naturalis.

Até os móveis mais preciosos eram construídos com inserções de pequenas lastras de mármore, com o objetivo de formar verdadeiras litotecas.
Entre as mais famosas coleções, podemos citar a de Faustino Corsi e a de Tommaso Belli, ambas do século XIX.

Faustino Corsi foi um advogado romano e é considerado o mais respeitado expoente do colecionismo de mármores antigos. Além de uma rica coleção composta por aproximadamente 1.000 exemplares, todos perfeitamente cortados e lucidados, deixou um abrangente tratado sobre esta matéria, que se tornou importante por tentar fundir o aspecto filológico com os conhecimentos científicos do período. A sua coleção se encontra atualmente no Museu de História Natural da Universidade de Oxford.

Também relevante é a coleção de Tommaso Belli, outro advogado romano, com uma documentação menor em relação à anterior, mas com uma coleção composta por mais ou menos 600 exemplares, hoje conservada no Museu de Geologia da Universidade “La Sapienza”, em Roma.
As coleções aqui citadas são certamente mais importantes e ricas do que aquela exposta na Academia dos Fisiocráticos de Siena, apesar desta última ter sido completada no mesmo período e se encontre para todos os efeitos inserida na história do colecionismo dos mármores antigos.

Escultura sendo restaurada, Oficina dos Museus Vaticanos

Variedade e problemas de nomenclatura

As dinâmicas das vicissitudes históricas e a carência científica na caracterização do material determinaram uma variedade de denominações que muitas vezes complicam a identificação das pedras em questão. Uma mesma tipologia possui muitas vezes diferentes nomes (chegamos a contar até 5 nomes para um mesmo tipo de mármore), que foram sendo adicionados e que se referem às várias fases e aos diferentes especialistas através das quais passou o mármore – mão de obra extrativista, marmoreiros, escultores, arquitetos, colecionistas. Os principais motivos que ao longo do tempo influenciaram a nomenclatura dos mármores antigos serão esclarecidos nas próximas linhas através de alguns exemplos.

Em vermelho, travertino revestindo a construção em tijolos do Teatro Marcello

A denominação latina de um mármore (que é obviamente a mais antiga) deriva frequentemente do nome dos lugares de extração, que os romanos tendiam a mudar, quando chegavam. Exemplo típico é o pórfido vermelho, com a sua característica cor vermelha escura (máxima expressão da potência e prosperidade imperiais, tanto que todos os governantes desejavam mandar fazer uma representação estatuária nesta pedra): vinha do Deserto Oriental Egípcio, escavado no “Gebel Dokhan”, um relevo territorial que foi rebatizado pelos romanos como Lápis Porphyrites e depois chamado “Porfido Vermelho Antigo”, nome com o qual é comumente conhecido.

Em outros casos foi adicionado o nome do monumento no qual o mármore tinha sido esculpido ao nome original em latim. Um exemplo deste caso é o granito branco e preto, que também vinha do Deserto Oriental, Gebel Fatireh, e que em honra ao imperador Claudio, foi chamado Mons Claudianus. Então batizou-se este mármore com o nome de Marmor Claudianum e depois ainda, em “Granito del Foro”, por ter sido extensamente utilizado no complexo monumental do Fórum Traiano.

Outras denominações sofreram mudanças, ou melhoradições, sobretudo na época moderna, sobre a observação das características estéticas ou da textura da pedra. Assim, o mármore de Caristo (ilha do Egeu), inicialmente chamado Marmor Carystium, foi rebatizado de “Cebolinho verde” (“Cipollino Verde”) pelas suas veias verdastras e sub-paralelas, que lembram as camadas visíveis na cebola; à uma variedade de “breccia” com fragmentos finos e “variegati” (irregolares), que vem da ilha de Skyros (Grécia), foi dado o nome de “Sementesanta” (“Semesanto”), pela semelhança com um laxante em formato de confeitos coloridos, comumente dado às crianças; "Breccia Frutticolosa" foi denominada uma "breccia" "a clasti" de formato redondo que lembrava algumas frutas ou nozes; "Lumachelle", enfim, eram todas as pedras que apresentam restos de fósseis com conchas.

Templo de Adriano em Roma, hoje sede da Câmera de Comércio de Roma

Em relação ao lugar onde se encontrava e/ou da reciclagem do material, o Marmor Scyreticum foi o mármore mais importante da ilha de Skyros (uma "breccia" marmorea de fragmentos relativamente grosseiros) foi também chamado de "Breccia das Settebasi" pelo fato de fragmentos desta pedra terem sido descobertos nos restos de uma mansão, a Vila de Settebassi, no século XVI, por sua vez uma sincretismo do nome Settimio Basso, a quem era atribuída esta construção da Via Tuscolana; o mármore de Chio (ilha do Egeu), Marmor Chium, virou "Portasanta" pela utilização moderna nos batentes da Basílica Vaticana.

Precisa-se tomar cuidado com algumas denominações geográficas que parecem indicar a origem de alguns tipos de mármore: o mármore antigo usado para decorar a tumba de Dante em Ravenna (1483), um mármore vermelho escuro "brecciato", foi denominado "Africanone" pelos cidadãos de Ravenna; na verdade trata-se de um mármore de Iaso, na Asia Menor, e por isso chamado na antiguidade de Marmor Iassense ou Marmore Carium; um outro exemplo parecido é o da "breccia" de marmore de Teos (na Turquia), chamada Marmor Lucullaeum ou Marmo Africano, onde o primeiro nome deriva de "Lucullo", o cônsul que o introduziu em Roma, enquanto que o segundo nome foi dado posteriormente pela tonalidade escura da pedra.).

Metodologia e objetivo da pesquisa

A pesquisa destes materiais têm adquirido sempre maior importância e envolve dois campos: o humanístico (em particular a arqueologia e história da arte) e o científico (especialmente nas disciplinas das ciências da terra, algumas vezes com bons resultados até no âmbito da integração de duas culturas). A Arqueometria e a Conservação dos monumentos de pedra são as disciplinas mais interessadas nas pesquisas dos mármores antigos.
A arqueometria tem como objetivo principal a catalogação dos materiais ou objetos escavados de valor histórico, artístico e arquitetônico; a catalogação científica dos materiais é o primeiro passo para descobrir ao outro principal objetivo desta ciência, isto é, a origem da pedra (pedreira ou lugar geologicamente compatível). A Conservação dos monumentos em pedra é a disciplina mais importante que sustenta cientificamente os trabalhos de restauro de objetos de valor artístico e arquitetônico, de cuja primeira fase de estudo coincide com os mesmos objetivos da arqueometria: é importante conhecer bem um material para poder restaurá-lo e é importante conhecer bem a sua origem para poder eventualmente poder substituí-lo. Estas duas disciplinas são complementares, se considerarmos a conservação e o restauro segundo as modernas concepções, onde ambas pressupõem uma fase de reconhecimento do objeto de arte para depois iniciar a intervenção técnica (em harmonia com o dito de Cesare Brandi), isto é, o conhecimento das vissicitudes históricas dos materiais do objeto que se pretende conservar. Em outras palavras, precisa-se prever um momento de pesquisa arqueométrica propedêutica no trabalho de conservação das manufaturas.

Em muitos casos, para a identificação de um litotipo, pode ser suficiente um simples exame macroscópico. Para a classificação da sua composição mineralógica e da sua estrutura, realizamos os métodos analíticos típicos da Petrografia, que por sua vez utiliza principalmente a análise das seções sutis no microscópio de polarização. Os mármores antigos, sobretudo nos casos de semelhança das características macroscópicas e microscópicas, como por exemplo nos mármores brancos das estátuas em Pentélico, Pario, Imezioe Lunense, a análise petrográfica pode não ser suficiente algumas vezes para a identificação do litotipo. Nestes casos, nos voltamos à geoquímica através da determinação da quantidade de elementos menores ou de isótopos em cada pedra e sucessivamente confrontamos os resultados com os dados disponíveis na literatura.

Mapa do mediterrêneo e seus mármores

Lorenzo Lazzarini contribuiu decisivamente para a identificação de exemplares da coleção de mármores antigos da Academia dos Fisiocráticos de Siena e publicou em 2004 um tratado sobre o assunto que traz importantes contribuições aos conhecimentos arqueométricos, com base na importância dos dados objetivos representados na classificação petrográfica dos principais litotipos. Neste trabalho, a cultura científica se insere com perfeição na cultura histórica, em virtude da incomparável experiência adquirida pelo autor durante as excursões realizados nos últimos trinta anos nos antigos lugares de extração. Algumas das contribuições bibliográficas mais significativas deste trabalho são citadas aqui para quem desejar se aprofundar no assunto:

BIBLIOGAFIA DE REFERÊNCIA

G. BORGHINI (a cura di), Marmi antichi. De Luca, Roma, 2001.
M. DE NUCCIO, L. UNGARO (a cura di), I marmi colorati della Roma Imperiale. Catalogo della
mostra (Roma 28 settembre-19 gennaio 2003). Marsilio, Venezia, 2002.
R. GNOLI, Marmora Romana. Dell’Elefante, Roma, 1988.
L. LAZZARINI, C. SANGATI, I più importanti marmi e pietre colorati usati dagli antichi. In: L.
Lazzarini (a cura di), Pietre e marmi antichi. Cedam, Padova, 2004, pp. 73-100.
L. LAZZARINI, La diffusione e il riuso dei più importanti marmi romani nelle province imperiali.
In: L. Lazzarini (a cura di), Pietre e marmi antichi. Cedam, Padova, 2004, pp. 101-122.
L. LAZZARINI, F. ANTONELLI, La determinazione dell’origine delle pietre e dei marmi in
antico. In: L. Lazzarini (a cura di), Pietre e marmi antichi. Cedam, Padova, 2004, pp. 55-63.
L. LAZZARINI, F. ANTONELLI, L’identificazione del marmo costituente manufatti antichi. In: L.
Lazzarini (a cura di), Pietre e marmi antichi. Cedam, Padova, 2004, pp. 66-71.
M. MARIOTTINI, Per una storia del collezionismo dei marmi antichi. In: L. Lazzarini (a cura di),
Pietre e marmi antichi. Cedam, Padova, 2004, pp. 135-189.
C. NAPOLEONE (a cura di), Delle pietre antiche. Il trattato sui marmi romani di Faustino Corsi.
Franco Maria Ricci, Milano, 2001.
P. PENSABENE (a cura di), Marmi antichi II. Cave e tecnica di lavorazione, provenienza e
distribuzione. L’Erma di Bretschneider, Roma, 1998.

O estudo dos mármores antigos atualmente é curado pela ASMOSIA (Association for the Study of Marble and Other Stones In Antiquity).


 Todas as fotos Patricia Carmo, salvo as excessões com nomes e links aos respectivos autores.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Guia de Roma em Dordogne, França!

Post dedicado a Marcio, do http://toindoparaaitalia.blogspot.com/ e http://toindoparaafranca.blogspot.com/

Desde sempre quis ver as famosas pinturas de Lascaux, na região de Dordogne, na França. Para mim, este momento onde os primeiros seres humanos esboçavam imagens de extrema elegância na parede das cavernas me causou muita curiosidade. Achava que o dia que conseguisse entrar numa caverna, iria sentar no chão e chorar de emoção!

MIALET, foto de Filou 30

A caverna mais famosa da França, e talvez até do mundo, é Lascaux, que foi descoberta em 1940. A partir dos anos 50, com o crescente numero de visitantes, as pinturas começaram a ser danificadas pela quantidade de gas carbônico emanada pelos visitantes no ambiente e em 1963 a caverna foi fechada. Em 1972 iniciaram o projeto de construção de uma réplica da caverna a 200m da original. Em 1982 concluiram a construção do que ficou conhecido como Lascaux II, que é o que vemos até hoje neste sítio arqueológico. Acredita-se que as pinturas tenham sido feitas entre 17.000 e 15.500 a.C.. Na região de Dordogne existem muitas cavernas visitáveis, mas a que tem a melhor e maior qualidade de pinturas neste momento, ainda aberta ao público, é Font du Gaume na cidadezinha de Les Eyzies.

Saint-Jean-du-Gard , foto de Filou 30

Por acaso, um “acaso” doido da minha vida, fui parar lá para trabalhar com turistas ingleses no verão de 2010 e fui à Font du Gaume. O que me marcou na visita foi quando a arqueóloga disse que as pessoas que fizeram estas pinturas NÃO MORAVAM NAS CAVERNAS: iam la para pintar, mas não moravam la dentro! Ela também disse que eles levavam uma torchinhas de zimbro (arbusto) para iluminar as paredes enquato pintavam! Impressionante era também a altura de algumas desenhos...cê ficava pensando "como é que eles subiram lá tão alto, e porque???"Seguramente teriam precisado de um verdadeiro andaime para subir, oito, dez metros! Do que eu pude perceber, as visitas não são todas iguaizinhas... os arqueólogos variam um pouquinho o que mostram aos visitantes... eu tive o azar de pegar uma guia que falava um ingles beeeeem ruim...fazia um esforço tremendo para entender; mas a sorte de ter visto uma das cenas mais tenras pintadas na préhistoria: um bisão bebê que está bem baixinha na parede de uma das galerias de Font du Gaume.
Ver estas pinturas não é que não vale a pena... pode ser simplesmente o sonho da vida de alguém como eu!

Aqui o site para as reservas da caverna Font du Gomme: http://eyzies.monuments-nationaux.fr/ não esqueça de reservar com muita antecedência!!!

Na primavera de 2010 estava trabalhando para uma grande agência inglesa há 4 meses e tinha motivaçao de sobra para fazer loucuras, como por exemplo guiar 283km atraversando a França de Cévennes à Dordogne de carro. Lá as estradinhas são muito perigosas, cheias de turistas... e sobretudo... não falo francês. Obviamente eu aceitei!

Já chegar ali era complicado: precisava sair de Roma, onde moro, pegar um vôo para Nice, depois um trem para Montpellier e de lá um ônibus, que saia uma vez por dia de manhã bem cedinho, para ir à uma mini-cidadezinha chamada Le Vigan, no Parque Nacional de Cévennes. Em Le Vigan, o pai de uma colega me esperaria na estação para me dar um carro da empresa, pois era o mais perto disponível para fazer a substituição do meu colega o mais rápido possível.

Centro de Montpellier, foto de Andrea Zamboni

No avião conheci Maddalena, que é italiana e trabalha para ONGs, gosta muito de línguas, fala espanhol e francês. Logo nasce uma simpatia na fila do embarque e eu confessei timidamente que não falava francês, com meu livrinho na mão "Francese in 24 ore". Ela foi tentando me explicar algumas coisas básicas da língua, mas quando aprendo uma língua, gosto de sentar, estudar a gramatica, pois sem ela é difícil.... então ia ouvindo a Maddalena, olhando meu livrinho e pensando ao ônibus que não poderia perder. Pensando bem, já tinha feito viagens muito mais tranquilas do que aquela!

Fui para a estação de trem de Nice, passando por aquele povo todo na praia, curtindo aquela água azuuuul e tentando enumerar as razões que tinham me convencido a fazer aquela viagem de trabalho tão louca....
Chegando na estação, tive sorte e consegui comprar um ticket pro mesmo dia - não sei se é claro o conceito de "Costa Azul no Verão"... mas quer dizer "Inferno na Torre": estaçoes cheias, trens cheios, mu-vu-ca. Pego este trem, e pago € 56 por uma viagem de 4 horas e meia. A viagem durou bastante para que meus pensamentos ficassem sempre mais agitados, mas consegui chegar "viva" em Montpellier.

Montpellier é uma cidade turistica e universitária: bares, restaurantes cheios de gente, muita música, shows, exposicões... em Julho fica "cheia como um ovo", como dizem os italianos

Economize comprando seus tickets de trem na internet antecipadamente! http://www.raileurope.com.br

Pensei que teria encontrado facilmente um hotelzinho, uma pensãozinha, uma qualquer coisinha-onde-para-dormir, pois para mim todos os viajantes do mundo estão em Roma! Montpellier é turistica, mas é pequena...seria possível que não encontrasse um quarto?!?
Não. Mas não foi fácil! Mesmo por que tinha que ainda naquela noite fazer " o teste do tram" para ver quanto tempo precisaria no dia seguinte para pegar o ônibus para Le Vigan, que saía de uma estação de ônibus super pouco sinalizada. Caminhei de um hotel ao outro, perguntando se tinham quartos, até que uma boa alma ligou para uns colegas e achou um lugarzinho muito bom, legal e perto de uma parada de tram.

O hotel onde tinha um quarto livre, era um 2 estrelas chamado Hotel Les Fauvettes. Gostei muito do preço: € 36, pois esta é uma zona cara. O que me conquistou foi o fato de estar um poquiiiinho afastado do centro, ter um jardim interno num pátio – adoro pátios! - , e silêncio, pois eu precisava dormir!

Para evitar este tipo de correria, reserve seu quarto antecipadamente aqui no site de Turismo da cidade de Montpellier (e saiba também da programaçao cultural): http://www.ot-montpellier.fr/en/ (site em ingles, conteudo resumido); site em francês: programaçao cultural http://www.montpellier.fr/.

Lembre-se que o sul da França é conhecido por ser um lugar de veraneio, onde as pessoas vivem a vida com calma e tranquilidade: e neste caso quer dizer para alguém que queira ter um serviço decente pagando pouco, não espere profissionalidade! Pagar pouco e ter profissionalidade é uma caracteristica que encontrei só na Alemanha!

Faço check in, entro no quarto... estava pronta pra tomar banho e me jogar na cama, mas não poderia dormir sem planejar muito bem o horário da saída no dia seguinte!

Deixei a mala no quarto e fui ver quantos minutos precisava pra ir até o ponto do tram; e de lá para a tal estação de ônibus.
Achei bem difícil a sinalizacão da estação de ônibus. Não tinha um cristão (outra expressão italiana!) para dar informação e o tal lugar parecia abandonado. Por Zeus, eu estou na Europa, estava certa de poder comprar a passagem antes e deixar tudo pronto para o dia seguinte. Mas não!

Apesar do ventilador, senti calor de noite. Aqui o comentário sobre este hotelzinho com fotos no Trip Advisor: um pouquinho generoso demais segundo a minha opinião, mas não posso reclamar! Hotel_Les_Fauvettes, Montpellier.

Saí no dia seguinte de manhã cedinho como uma fúria – puts, não podia perder aquele ônibus!

O ruim destas situações é que não consigo comer; aí, depois que tudo se resolve, chega a fome. Consegui chegar na hora certa para esperar o ônibus, tomei um cappuccino e comi um cornetto, che na França se chama croissant, e se partia! O pior momento estava chegando... o escritório de Oxford tinha me dito que teria que guiar por umas quatro horas, atravessando a França diagonalmente. Eu estava muito ansiosa para saber como teriam sido aquelas horas no volante, pois a única coisa que sabia... era que meu amigo tinha sofrido um acidente e eu estava indo substitui-lo!

Duas horas de viagem pelas estradinhas super perdidas até que cheguei no ponto de encontro e o pai da minha colega era um senhor simpaticíssimo, visível e puntual para o nosso encontro. Fui levada à casa deles, onde a sua esposa me ofereceu um café e um lanchinho para a viagem - que pessoas tão gentis! Miranda (a minha amiga) tinha me dito que deixava um mapa para mim (ela já tinha voltado pra Inglaterra) e foi assim que dei uma olhada rápida no percurso, agradeci os mimos das pessoas que tinha conhecido, entrei no carro e iniciei a minha procura pela proxima saída na minha Citroen Berlingo azul, último modelo: Nantes.

O dia estava lindo e eu via paisagens maravilhosas de rochas calcáreas e céu azul, lagos e bosques, subindo e descendo as montanhas, pensando a homens préhistoricos se movendo naquela paisagem; lá ia eu dirigindo com cuidado nas estradinhas em zig-zag, feliz da vida! Vale super a pena baixar este pdf em português da UNESP (Campus de Rio Claro) sobre a região, é muito interessante e tem muitas fotos: O PARQUE NACIONAL DE CÉVENNES E A CONSERVAÇÃO AMBIENTAL, de João Luiz de Moraes Hoeffel e Sônia Regina da Cal Seixas Barbosa. Parabéns e obrigada aos autores!

Não gostei mesmo foi de pegar a autoestrada - achei que os franceses guiam seus carros como loucos – e aqui repetiria Asterix, mas assim: Son fu le français! Foram os 35 km mais longos da minha vida! Quando a gasolina estava acabando, parei para abastecer, comi a maçã que a mãe da Miranda tinha me dado, o chocolatinho, tomei um gole de água e continuei para a minha próxima saída: Cahors. Tem também boas fotos aqui, no blog de um canadês que trabalha como guia naquela região: http://hikinginprovence.blogspot.com/2011/10/cevennes.html

Prossegui viagem... e quanto fiquei contente em ir acertando direitinho as saídas, você não pode imaginar! Se olharem no Google Maps de pertinho, vai ver que poderia ter errado muito! Entendi que não saber falar a língua implicava em não ter nenhuma memoria para aqueles sons e letras que naquele momento entravam pelos olhos mas ficavam boiando na minha cabeça de forma aleatória, e era dificilíssimo acertar as saídas. Era só apoiar o mapa no assento do passageiro e PIMBA! esquecia tudo!

Bom, entrei na estradinha N88 e ficou bico: se eu tinha sobrevivido à autoestrada francesa, eu podia começar a relaxar, mesmo que o ritmo da viagem estivesse indo muito mais devagar do que o previsto. Já estava dirigindo há quatro horas e teoricamente deveria estar pertinho, mas não estava... De qualquer modo, meu prazo para a chegada em Sarlat-la-Canéda era até aquela noite, pois no dia seguinte deveria receber viajantes e "elucidar o percurso", o que exigia uma reunião de uma eficiencia monstruosa com o meu colega Nick, que tinha se acidentado.

Sarlat, foto de Patrick Nouhailler

Continuei pela linda e exótica paisagem, passando por um outro sitio arqueológico no caminho, uma cidadezinha linda, linda, chamada Gourdon. Se não fosse pela urgência do meu objetivo, teria tranquilamente passado uma noite e uma dia, pelo menos, naquele lugar!

Segui viagem com o ar condicionado ligado, pois naquela hora, naquele lugar, o calor ficava muito intenso e eu tentava me poupar para o resto da viagem e do dia, pois ainda não disse que nem sabia onde iria dormir naquela noite!
Confesso ter errado pelo menos ainda duas saídas (mas era fácil fazer um retorno!) até chegar em Sarlat, parar o carro num lugar bem central, e me sentindo uma heroina, liguei pro meu colega dizendo para ele vir me encontrar: isto era como tínhamos combinado. Pasmem, a viagem durou 6 horas e meia! Duas a mais do que dizia Google maps e o nosso "Bosley", o escritório de Oxford.

Estava cansada, mas ao mesmo tempo híper-adrenaliínica. Marcamos de nos encontrar em um restaurante ao aberto em Carsac, onde tem uma linda igrejinha românica do séc XI. Um café custa tranquilamente € 4 , você pode imaginar o resto... Sentamos e depois de discutirmos sobre alguns problemas da empresa e como poderiam ser resolvidos, Nick me contou quais eram as últimas informações que deveria dar aos clientes que estavam chegando no dia seguinte.

Carsac, foto de marrk.nl

Esta empresa organiza viagens a pé. Os viajantes recebem um caderninho com mapas e descrições, e viajam praticamente sozinhos de uma aldeia à outra. Em poucas palavras, a nossa função é de ficar ligado nas mudanças dos caminhos, como por exemplo "o bosque de nozes não existe mais, pois foi cortado", "entre Meyral e Les Eyzies tem uma parte do caminho com pernilongos assassinos: use repelente!"; aconselhar o que experimentar das especialidades locais, estar atentos às diversas alergias alimentares, ajudar em caso de acidentes, reservar táxis na última etapa da viagem caso necessário, reservar os tickets do sítio arqueológico de Les Ezyes e levar as malas de um hotel para o outro. Mais ou menos...

Naquele dia decidi ir para um Camping em Vezac, chamdo Les Magnanas às margens do Dordogne, comprei uma tenda nos supermercados Leclerc por 12 euros, um tapetinho térmico por 5 e la fui eu ao Camping Les Magnanas (http://www.sarlat-camping.com/) € 6.40 (tenda + espaço tenda 100m2 e carro), de onde saía para trabalhar todos os dias de manhã e nadava todas às tardes no rio Dordogne!

Amei e recomendo a região do Dordogne!!!

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

A cidade eterna: Roma

"Só em Roma é possível compreender Roma. "
Johann Wolfgang von Goethe - Viagens à Italia (1816)

Por que ir à Roma

Piazza Veneza, por Carlo Mea (instrutor de Yoga Método De Rose em Roma)

Por que Europa? Europa geografia, Vaticano, exército romano, todos conheçemos um lado, um pouco, Europa berço da civilização, berço do cristianismo

Por que visitar a Itália?

Todos nos sabemos um pouquinho sobre a ela: é de lá que vem a nossa cultura, foi lá que nasceu o Cristianismo, Roma foi a capital de um dos maiores impérios que o nosso planeta ja viu, o latim e o grego são a origem da nossa língua!

Pasta con porcini: hmmmmm!

Quando era uma jovem estudante de Artes Plásticas na Alemanha, todos os professores amavam a Itália e nos incentivavam a ir explorá-la.

Foi numas férias de verão que fui parar na Suíça, na casa de uma artista brasileira que mora la, e por acaso conheci uma pessoa que estava indo comprar materiais para fazer chapéus na costa do Adriático. Ela me ofereceu "uma carona" para atravessar os Alpes e achei que tinha chegado o grande momento. O percurso dela seria sair de Genebra, ir a Milão, Firenze, e lá nos nos despediríamos e ela iria em direção ao Adriático e eu tomaria um trem para Roma.

No carro, a amiga, que era brasileira de origem italiana, ia me dando aulas de italiano e contando o que eu tinha que visitar na próxima parada. Em Milão ficamos uns 2 dias. Como todos os jovens estudantes, me hospedei num albergo da juventude, o mais barato que se pode encontrar, e de dia fui ver o Duomo. Naquele período tinha um discman, isto é, ainda não existiam os ipods e eu ouvia música de cds, e estava com uma fixação pela "Stabat Mater" de Pergolesi. Colocava aquilo nos ouvidos de manhã, apertava "repeat", e ia assim o dia inteiro, com pequenas pausas para comprar os tickets para os ônibus, o sanduíche (panino em italiano) e a água para o almoço. Coisa de gente doida, né?! Mas eu não fazia mal a ninguém, estava de férias e tinha que solidificar os meus conhecimentos sobre o berço da Arte - sim, por que toda a base da Arte dos nossos dias é intimamente ligada à arte cristã. Eu estava para mergulhar num mundo que nem imaginava que poderia me interessar um dia!

Afrescos em Santo Estevão Rotondo

Depois de um mês, ja estava craque: crucifixao ao contrário: S. Pedro; santo com flechas no corpo, S. Sebastião; já tinha até elegido a minha cena preferida da Bíblia, que era a Anunciação! Adorava o anjinho que vem à Maria com uma flor de lírio nas mãos, símbolo de fé e esperança, para dizer que ela vai ter um filho de Deus. E aí entao estava bem encaminhada para entender toda a simbologia do cristianismo do Renascimento que ia ver em Roma!
Palazzo Sforzesco (pietà Rondanini), a última ceia de Leonardo (que precisa rservar com antecedência!), La Pinacoteca di Brera, os Navigli.

Em Milão foi bem rápida a parada, pois a amiga ia ficar só dois dias; nos demos um lugar marcado para a partida e la nos fomos para Firenze. Esta viagem foi bem divertida. Ela conhecia bem mesmo Firenze e estava preocupadissima comigo, para que eu aproveitasse o máximo! Quanto às igrejas, disse para visitar, além do Duomo , "Santa Croce" e "Santa Maria Novella". Giardini di Boboli e sorvete no Ponte Vecchio. Os Ufizzi, o Davi e os escravos de Michelangelo, Palazzo Pitti e Piazza della Signoria. "Ah, e quando os italianos te encherem o saco na rua, responda 'Lascia perdere!', assim te deixam em paz e vêem que vocè nao é boba e fala a língua deles". Achei ótimo isso, pois estava na Alemanha ja faziam dois anos e tinha me esquecido como se comportavam os latinos na rua.
Ainda nao entendia por que ela se preocupava tanto que eu comprasse o meu sanduíche no lugar que ela tinha indicado com tanta precisão...pois é, só depois de um pouco de tempo na Itália é que voce "afina o paladar" e começa a entender o valor dessas coisas. E isso veio bem depois e com o tempo: quando tive a sorte de morar com um casal de amigos mais velhos, Maria Vittoria e Nicola, toscanos e de ótimo gosto! Mas mesmo assim, durante a viagem, tentava seguir as indicações da amiga!

Chegando em Firenze, "vi o que tiha que ver", nos despedimos e depois de 3 dias bem aproveitados, segui de trem para Roma... Roma... aquela cidade que tinham me contado tantas histórias... aquela cidade que é tão grande que é a nossa própria história!

Cheguei dia 1° de Julho - ninguém merece chegar em Roma naquela data pelo tanto de calor que faz - utilizei a mesma estratégia estudantesca que tinha utilizado até então: procurei o albergue da juventude e fui deixar as minhas coisas para explorar a cidade. Girando, girando, fui parar no correio, para comprar um cartão telefônico e estava procurando um quartinho para alugar, pois tinha a sensação que ia ficar até o final das férias. Enquanto tentava decifrar o jornal "Porta Portese" em italiano e chegava à óbvia conclusao que a língua é muito parecida, mas é muito diferente da nossa, conheci por acaso na fila um professor de italiano chamado Roberto Tartaglione, que disse que sabia de uma senhora que alugava quartos, pois ele recebia muitos estudantes gregos e tinha que saber aonde acomodá-los. Assim, saí do correio com a promessa de um quarto e de aprender italiano na escola dele, que eu recomendo: Scudit, Scuola d'Italiano Roma, site www.scudit.net.

Quando fui ver o quarto, o professor me deu uma carona de moto e descemos a Via Nazionale, passando pela Piazza Venezia, para entrar na Via del Corso e chegar na Via della Croce. Bom, neste percurso de 15 minutos, até o ser humano menos interessado por Roma, pela história da humanidade, ficava chocado com a beleza e o charme da cidade! O quarto era ca-rís-si-mo, mas como eu ia ficar um mês lá, valia a pena e paguei 700.000 liras em 1997!

Estava então acomodada bem perto da Piazza di Spagna, num predinho velho, caindo aos pedaços e o apartamentinho nao fugia à regra, e caía aos pedaços também. Lá moravam 4 garotas islandesas bem mais jovens do que eu, que era ainda muito jovem naquele período! - as futuras colegas de república, que matavam aula de italiano sempre (eu não!), ficaram logo minhas amigas e me levaram logo para ver o Pantheon na primeira noite; aliás, elas estavam me levando num barzinho que se chamava Jonathan's Heart, atrás da Piazza Navona, perto da Piazza del Fico, mas passamos na frente do Pantheon, t-o-d-o iluminado - que encanto de cidade, eu pensava!

Todo mundo na escola de italiano me perguntava se eu ja' tinha visto a Fontana de Trevi, mas eu não sabia onde estava e fazia questão de caminhar sem mapa: outra coisa de gente doida; sabia que era no caminho de casa para a escola. Como o calor naquele período do ano é infernal - mas gente, infernal significa não poder sair de casa das 11 às 5 da tarde - eu saia bem cedinho para subir a Via Nazionale e, com intenção de me perder, um belo dia dou de cara de surpresa com a Fontana de Trevi. Eram 6 da manhã, tinha somente uns quatro policiais na rua, todas as lojas fechadas....que experiência! Realmente é o horario perfeito para passear por Roma! Quanto riram de mim depois, quando contei que tinha ido para lá naquele horário...

Fui ver uma grande retrospectiva de Caravaggio no Museu da Piazza Venezia e quanto aquela pintura me impressionou! Mais do que os Boticelli, os Michelangelo e outras maravilhas que tinha visto... foi o início de uma grande paixão! A mostra era bem completa e começava com a pintura da "La Buona Ventura", passando pelo "Baco doente", até a incrível composição da "Deposição do Cristo sobre a Cruz". Que sorte aquela expo bem naquele momento!

As aulas iam, e eu me enrolei muito com a gramática no começo - como sempre! Fazia confusão com o resquício de espanhol que nunca tinha formalmente aprendido, mas ia passando os exames e fazendo amizade com os professores.

Uma coisa que aprendi bem cedo sobre a vida romana dos dias de hoje é o amor pelas manifestações políticas. A primeira que Lucia e Roberto me convidaram para ir, era contra as experimentações nucleares do então presidente francês Chirac. E em grande estilo o povo italiano encheu a Piazza Farnese (do lado de Campo de Fiori) onde tem a Embaixada Francesa e dançou, tomou vinho e protestou! Foi uma verdadeira festa!

Uma manifestação no verão passado, na Piazza Navona

Beba sim das fontes de Roma!

Fiquei muito amiga de Lucia, que até depois de muitos anos casou com um cara de Hamburgo, onde eu estudava, e adotou dois filhos. Infelizmente ela morreu de câncer nao muito tempo depois... era uma pessoa fantástica!

Daquele periodo selvagem, eu me lembro de estar sentada no meu quarto estudando italiano, saindo pra bater perna no final da tarde, comendo bolachas com mel, passeando pelo estranho bairro Copede, pelo Forum, São Pedro e sentindo falta da Arte contemporânea e da eficiencia alemã.

Até que o mês acabou, eu fiquei em Roma, mas tive que mudar de quarto, por que aquele era muito caro! E fui parar na Via Chiana, perto da Villa Ada. Mas isso é um outro post!

E você, por que quer visitar Roma?

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Pompei

Quanto somos curiosos para saber exatamente como viviam os homens na antiguidade?

Muitas vezes eu imagino como gostaria de voltar no tempo e ver Roma no ápice do seu desenvolvimento, com um milhão de habitantes e passear no Forum Romanum, partecipar da confusão do centro da maior cidade do mundo antigo, com seus trocadores de moedas, banqueiros, ver a imponente caminhada das sacerdotesas Vestais, que tinham o poder de dar a graça aos prisioneiros e salvá-los de uma condenação à morte!

O que dizer de entrar numa sessão da antiga Curia e ver Cícero discursar, com seu fiel assistente tomando notas de suas palavras, o Stenio (veja mais detalhes sobre ele na Wikipedia), que inventou a escrita estenográfica?

Pompéia com guia em português é outra coisa!

O "prato cheio" para os arqueólogos e curiosos como eu é Pompéia (e Herculano), que no dia 24 de Agosto de 79 d.C. foi congelada, ou melhor dizendo, "empedrada" no tempo, com a explosão do vulcão Vesúvio, que durou três dias. Lá podemos observar uma cidade e seus habitantes do I século d.C..

A área arqueológica possui uma extensão de 66 hectares, onde 50 estão abertos ao público.

RESERVE A SUA VISITA GUIADA EM PORTUGUÊS NO SíTIO ARQUEOLÓGICO! Para orçamentos, escreva um email atravèes da página http://www.guiabrasileiraemroma.com.br/#!contato/c1lmm

Pompéia

Ex-colonia grega, esta cidade teve seu dramático fim sob o Imperador Tito.
A cidadezinha vivia de comércio, estava crescendo mas ainda não contava como uma das principais cidades romanas... por isso nunca teria entrado para a história se tivesse encontrado um fim menos cinematográfico.

O guia contextualiza a cidade antiga de Pompéia e nos faz reviver momentos 
de vida quotidiana da cidade destruida no I séc d.C.

Aqui estamos na frente de uma antiga padaria!

No ano de 63 d.C., o Imperador Nero cantava em um teatro de Nápoli quando houve um grande tremor da terra. Este era o sinal que depois de séculos em dormência, o perigoso vulcão estava lentamente acordando. A terra tremeu naquela zona com alguma regularidade nos próximos 17 anos...

Antes do fatídico dia que exterminou Pompéia, vinhedos cobriam os pés do Vesúvio, seus bosques eram cheios de animais selvagens que os pompeianos amavam caçar para preparar as mais deliciosas receitas que hoje são parte da cultura italiana. Pompéia era um grande produtor de um molho típico feito com peixe, chamado "garum" (ou "liquamen" em Roma Capital).

O centro da vida pompeiana era o Forum: um espaço retangular de 38 por 142 metros, com filas duplas de colunas no seu perímetro, adornado com estátuas de bronze e mármore: lá se concentravam os edifícios públicos e o comércio.

Entendendo o Forum de Pompéia com o guia que fala português; 
assim fica tudo mais claro e legível!

A agricultura de Pompéia era farta: verduras, vinhedos e oliveiras prosperavam, assim como a produçao de mel e da espelta (ou trigo vermelho), um grão duro do qual a colheita acontecia 2 vezes por ano!

Rua de Pompéia, foto de Michael 27

No século XVIII começaram as escavações na cidade e não poucas foram as surpresas: sobre uma mesa, a oferta de ovos, peixe e nozes de um grupo de sacerdotisas da deusa Isis e seus corpos pesados e parados no tempo, lutando contra a lava para se levantar e salvar o seu templo; uma família inteira encontra a morte ao celebrar o funeral de um parente, presos em uma sala pela massiça quantidade de lava que bloqueava a porta; ânforas e copos sobre a estante de uma "taverna" ao lado de uma caixinha com trocos no balcão; um cachorro tenta desesperadamente se liberar da corrente que o prendia, impedindo-o de seguir o seu instinto e fugir do perigo mortal que implacavelmente se aproximava; na caserma dos gladiadores, no interior do anfiteatro, dois presos morrem sufocados e na cela ao lado o uma senhora da alta classe pompeiana (status quo visível através das suas muitas jóias) encontra o mesmo fim; uma mãe que amamenta um recém-nascido e duas crianças tentam se proteger na barra da sua saia - cenas cristalizadas no tempo e visíveis ainda hoje na área arqueológica visitável de Pompéia.

Cenas do desespero de um cidadão do ano 79 d.C. 
que fazem o nosso coração quase parar! 

Até os animais domésticos  sofreram: o famoso cachorro.


O nosso tour explica a técnica com a qual
os arqueólogos foram capazes de recuperar estas 
imgens impressionantes do passado!

Fascinante seguir o percurso com o guia, 
que durante a caminhada desvenda mistérios da cidade antiga!

Emocionante ver os antigos tubos de água da cidade.

Os arqueólogos notaram que em muitos casos, pessoas foram petrificadas nas camadas superiores de material lávico. Isso os levou a pensar que a "trégua dada pelo vulcão" entre a caída de pedras e a enxurrada de lava, fez com que algumas pessoas voltassem à cidade para recuperar alguma coisa que tinham deixado para trás. E esse gesto foi fatal.

Afresco em parede de Pompéia, foto de Michael 27

No momento da tragédia, 20.000 pessoas viviam na cidade.

Pompéia também oferecia aos seus cidadãos termas, salões para ginástica, o Teatro Grande (200 - 150 a.C), que tinha capacidade para 5000 expectadores, do qual hoje restou a cavea e alguns nichos e edicolas - aqui eram representados espetáculos tradicionais, como comédias e tragédias. O Teatro Piccolo, construido depois de 80 a. C., com capacidade para "somente" 1000 expectadores mostrava audições musicais e espetáculos de mimos. No grande Anfiteatro (80a.C.), com 12000 lugares e forma elíptica, os pompeianos podiam assistir aos jogos dos gladiadores.

A gente não viu passar o tempo com o guia!

Mas é no requinte das casas privadas dos nobres abastados que vemos o amor dos pompeianos pela vida através dos afrescos com cores brilhantes que mostram a arquitetura, os jardins e a mitologia. Foi o vermelho destes afrescos que deu o nome à cor "vermelho pompeiano"!

Explicações preciosas no interior de uma casa pompeiana

Afresco erótico em Pompei, foto de Michael 27

O pessoal se divertindo com as explicações da guia nos antigos bordéis da cidade ;)

E por sorte, as nossas guias são excelentes fotógrafos! 
Aqui o momento da inteira família Azevedo no Forum, imortalizado!

A economia de Pompéia foi comprometida e Roma teve que começar a importar vinho e outros produtos da Gália, fato observado na grande quantidade de ânforas de tipo gálico encontradas na capital.

O que ver em Pompei:

- Casa dei Vetii, afrescos;
- Villa dos Mistérios, o maior afresco do mundo antigo, com 3x17metros!
- Casa do Fauno Dançante, escultura em bronze;
- Casa do Menandro, vasos e objetos em prata;
- Casa da Grande e Pequena Fontana, mosaicos no piso;
- Casa do Poeta Trágico (famoso mosaico com o cachorro "Cave Canem");
- Anfiteatro, construido depois da fundação da colônia romana, em 80 a.C., com capacidade para 20.000 espectadores;
- Basílica, edíficio de função pública, gigantesca construção do II séc a.C.;
- Forum Civil, com seus templos;
- Casa dos Cupidos Dourados, ricamente decorada com os famosos cupidos em folhas de ouro; esta casa pertenceu à familia da segunda mulher do Imperador Nero;
- Termas "Stabiane", as mais antigas de Pompéia, construidas no II séc a.C.;
- Zona dos Teatros e do Forum Triangular, com o Templo de Isis construido depois do terremoto de 62 d.C.;
- Casa do Criptopórtico, luxuoso magazino com importantes pinturas onde se vê o mito grego fundir-se com o mito da fundação de Roma;
- Casa de Loreius Tiburtinus, elegante casa nobre com piscina de 50 metros, supostamente utilizada em rituais do culto à Isis;
- Casa e Termas de Julia Feliz, casa de nobres.

Muitas preciosidades dos escavos de Pompéia foram levadas ao Museu Arqueológico de Nápoli, digno de uma visita antes de voltar à Roma!

Mais um afresco em quarto de residencia em Pompei, foto de Michael 27

A entrada aos escavos é através da Porta Marina ou da Piazza Anfiteatro.

Esta visita pode ser realizada com a excursão à Ercolano na sequência, cujo percurso aproximativo é: Termas, o Colégio dos Augustais, as mais belas residências particulares com
mosaicos em mármore e pasta de vidro, afrescos e móveis, o porto da cidade antiga, e o túnel escavado
dentro dos materiais lávicos que cobriam a cidade.

Se preferirem fazer Pompei e Vesúvio (com uma caminhada a pé à boca do vulcão do último quilômetro), também é possível.

Horários:
- de 1° de Novembro a 31 Março: todos os dias das 8.30 às 17.00 (última entrada às 15.30)
- de 1° de Abril ao 31 Outubro: todos os dias das 8.30 às 19.30 (última entrada às 18.00).
A área arqueológica fecha nos seguintes feriados: 1° de janeiro, il 1° de maio e 25 de dezembro.
Preço da entrada: € 11,00 inteiro
Bilhete reduzido: € 5,50 para os cidadãos EU de idade entre 18 e 25 anos e para os professores de escolas públicas