terça-feira, 21 de maio de 2013

Castel Sant'Angelo

"Anima vagula blandula - Hospes comesque corporis - Quae nunc abibis in loca - Pallidula rigida nudula - Nec ut soles dabis iocos." 
"Pequena e tenra alma vagante, hóspede e companheira do corpo, agora pálida e rígida desapareces, sem poder mais brincar como outrora." 
Imperador Adriano, ano 130 d.C.
(frase escrita no interior do Mausoléu do Imperador e da sua família)

Em ritmo de primavera, os jasmins perfumam as ruas de Trastevere na nova luz que chega transformando o que conhecemos em imagens novas, que não nos cansam de encantar com a sua beleza eterna.

Castel Sant'Angelo é um dos tantos monumentos romanos com uma história incrível, de beleza imponente e mágica, de sabor antigo e cenográfico do centro de Roma - um dos meus preferidos!

Castel Sant'Angelo visto com "il passetto" - ligação com o Vaticano

Esta construção aparentemente insólita aos nossos olhos era até muito comum na antiga Roma, e deve a sua forma aos etruscos.

Acredita-se também que a maior inspiração arquitetônica para este monumento tenha sido um grande mausoléu do IV séc. a.C., às margens do mar Egeu, localizado numa cidade antiga que se chamava Cária, na Anatólia. Este mausoléu era uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo e é também conhecido como Mausoléu de Halicarnasso; infelizmente hoje não podemos apreciar mais do que as suas fundações

Castel Sant'Angelo, foto minha

O Imperador Adriano (que reinou no periodo de 117dC - 138dC) teve seu principado caracterizado pela tolerância em relação aos cristãos e proteção dos escravos (através de uma reforma legislativa promovida pelo imperador em pessoa), valorização da arte, cultura e filosofia.  A Villa Adriana é um exemplo de valorização das artes, pois foi construida com paixão e amor pela memória, com citações arquitetônicas que o imperador tinha conhecido nas suas várias viagens pela Grécia e Egito.

Até o Pantheon, construido por Agrippa foi reconstruido pelo imperador Adriano e adquiriu a forma que nós conhecemos hoje.

No alto do Castel Sant'Angelo, com Suzana e Marcia (cúpola de São Pedro no fundo) 

O Castel Sant'Angelo foi construido entre 76 e 138 pelo Imperador Adriano como mausoléu para a sua família. O material da construção foi o peperino (pedra de origem vulcânica, típica aqui na região do Lácio) e uma espécie de cemento desenvolvido pelos romanos.

Castel Sant'Angelo e Ponte Sant'Angelo com a iluminação noturna - foto minha

O túmulo tem a forma de um cilindro chato (64m de diâmetro e 20m de altura) e a construção de peperino era coberta por lastras de travertino (o mármore do Lácio). A base sobre a qual o cilindro se apoia é um quadrado de aproximadamente 85 metros de comprimento e 15m de altura. No alto do cilindro, existia uma quadriga, representando o Imperado Adriano como Deus-Sol.  No centro do monumento encontra-se as tumbas da família Antonina, com a seguinte inscrição escrita pelo próprio imperador:

Angelo da ponte de Castel Sant'Angelo, das oficinas de Bernini

"Anima vagula blandula - Hospes comesque corporis - Quae nunc abibis in loca - Pallidula rigida nudula - Nec ut soles dabis iocos", que quer dizer mais ou menos "Pequena e tenra alma vagante, hóspede e companheira do corpo, agora pálida e rígida desapareces, sem poder mais brincar como outrora". Lá dentro, encontramos muitos membros da família Antonino, como a esposa do imperador, Sabina, o imperador Antonino Pio e sua esposa Faustina Maior, assim como três dos seus filhos, Lucio Hélio César, imperadores Cômodo e Marco Aurélio (e filhos), imperadores Setímio Severo e sua esposa Júlia Domna, bem como seus filhos e por último os imperadores Geta e Caracalla.

Ponte Sant'Angelo, foto de Jimmy Harris

A importância da localização geográfica deste mausoléu foi um fato importantíssimo pela proximidade ao túmulo de um certo Pedro (sim, o Apostolo de Jesus), que muitas pessoas do mundo todo vinham a visitar em peregrinação, mas sobretudo por ter sido englobado nos Muros Aurelianos do final do III séc. d.C .De fato, a Basílica de São Pedro fica somente a 600 metros do mausoléu de Adriano! Imagine que o Mausoléu de Augusto, que fica a poucas centenas de metros deste mausoléu, foi totalmente abandonado e a maravilhosa estrutura arquitetonica ficou muito degradada por estar numa posição sem relevancia no desenvolvimento urbanistico da cidade de Roma!

Por 150 anos o mausoléu foi mesmo um mausoléu, até que seu destino foi marcado sob o imperadores Honório (395-423) e Arcádio (395-408), quando foi envolvido nos muros aurelianos. A partir deste momento, as características da construção se demonstram fantásticas para ajudar a proteger a cidade dos constantes ataques que sofria, transformando-a em uma fortaleza.

Angelo da ponte de Castel Sant'Angelo, das oficinas de Bernini

O nome com o qual conhecemos hoje este monumento, Castel Sant'Angelo, foi dado no ano de 590, quando em Roma teve um surto de peste negra e o Papa Gregório I, desesperado, organizou uma procissão em uma tentativa de acabar com a doença na cidade. O trajeto da procissão passava pelo mausoléu de Adriano, e no momento em que o Papa e os fiéis se aproximavam ao imponente monumento, diz a lenda, Gregório I viu o Arcanjo Miguel aparecer no céu enterrando sua espada na parte superior do monumento, como sinal de que a peste seria vencida. Mas não é que a peste acabou mesmo depois da procissão? A partir daí, os romanos começaram a chamar de Castel Sant'Angelo o mausoléu de Adriano.

No decorrer do anos a fortaleza passou ao domínio dos papas e foi constantemente reformada  e cuidada, com a adição dos aposentos papais (Paolo III Farnese), caracterizados por um luxo difícil de imaginar, com uma série de afrescos requintados de Perin Del Vaga, e serviu como refúgio aos tesouros do Vaticano, pois aos poucos, com foram construidos bastioes e o antigo "monumento funerario" de um grande imperado for sendo transformado em um forte!

Venha passear conosco e conhecer o interior deste pedaço importantíssimo da história do Ocidente! No alto deste monumento tem uma lanchonete com uma das mais lindas vistas de Roma (para mim, a mais bonita!), pois nós vamos subir até o topo e ver o arcanjo Miguel de pertinho!

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Com Ródnei e Vladir lá no alto, pertinho do anjo!

domingo, 5 de maio de 2013

Basílica de Sant'Ambrogio, Milão

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A basílica de Sant'Ambrogio é uma das igrejas mais antigas de Milão e representa não só um monumento da época paleocristiana e medieval, mas é também um ponto fundamental da história milanês e  da igreja ambrosiana. É considerada a segunda igreja mais importante da cidade de Milão.
foto de Annamaria

Construída entre 379 e 386 por ordem do bispo de Mião, Ambrogio, a localização foi escolhida por ter sido a zona onde se encontravam sepulturas de mártires cristãos do  período das perseguições romanas, e por isso foi dedicada aos m conhecida como "Basílica dos mártires", e a sua construção foi dedicada  a eles. Ambrogio quis depositar ali as relíquias dos santos mártires Vittore, Nabore, Vitale, Felice, Valeria, Gervasio e Protasio, além de  desejar ele mesmo ter a sua sepultura nesta igreja. E quando isso aconteceu, mudou o nome da igreja para o atual.



No século IX, sofreu restruturações importantes por ordem do bispo Angilberto II (824 - 860), que mandou adicionar uma grande abóbada precedido por um ambiente coberto por um teto em forma de arco, onde aconteciam as missas. No mesmo periodo, o teto da abóbada foi decorado com um grande mosaico, que ainda hoje pode ser contemplado, o "Cristo redentor no trono entre os mártires Protasio e Gervasio, com os arcanjos Miguel e Gabriel", e mais duas imagens com episódios da vida de Sant'Ambrogio. Sob o cibório (termo que significa nas basílicas e igrejas antigas de certas épocas e estilos arquitetônicos,  uma espécie de pavilhão com quatro colunas e cúpula ou cobertura, para abrigar imagens ou objetos sagrados) do século X,  foi colocado o altar de Sant'Ambrógio, uma obra-prima de ourivesaria do século anterior em ouro, prata, pedras preciosas e esmaltes, que indica a presença das relíquias dos santos colocadas sob o altar e que podem ser vistas de um janelinha do lado posterior.

Coluna com afrescos, Foto de Lino M

A aparência da basílica, como a vemos hoje, foi concluida entre os anos de 1088 e 1099, quando o bispo Anselmo a reconstruiu segundo os princípios da arquitetura românica. Deste modo, foi mantido o esquema de três navadas (sem transepto, que é a parte do edifício que corta a navada perpendicularmente) e as três absides (ou abóboda) correspondentes, além do quadripórtico (pátio circundado por quatro lados por pórticos, isto é, varandas com colunas),  que adquiriu a função de lugar para reuniões.

Notável a expressão de renovamento da arquitetura, sobretudo na concepção da iluminação do espaço. De um lado, a luz provém principalmente das grandes janelas da façada, e isso faz com que a luz entre longitudinalmente na igreja e que a estrutura seja evidenciada, sobretudo no fundo, onde a sobre é maior. Do outro lado, o espaço não foi concebido como até então no mundo paleocristiano, em modo unitário e místico, mas humano e racional: os espaços foram divididos com grande consciência da geometria, além de terem exaltado os elementos estáticos, como pilares do interior e do exterior da igreja, utilizando elementos para colorir estruturas arquitetônicas.

Interior da basílica, foto de Oneoneline

Em 1943 os bombardamentos anglo-americanos destruiram boa parte do pátio e da cúpola, inclusive do mosaico. Nos anos posteriores ao final da guerra iniciaram o restauro, que ainda bem restabeleceram a aparência de antes da destruição das bombas.
Os arqueólogos descobriram em 2005 noventa tumbas de mártires realizadas entre os séculos IV e V, enquanto faziam escavações realizadas antes da construção de um estacionamento subterrâneo.
A igreja é construída com materiais das redondezas de Milão, materiais pobres, como tijolos de várias cores, pedra e gesso.

Esta basílica oferece ao viajante o prazer de ver um caso único de românico lombardo, pois todas as outras construções foram destruídas ou transformadas radicalmente. Podemos também afirmar, que ela serviu como exemplo para a construção de outras igrejas do norte da Itália que sofreram a influência lombarda.

Percurso para o Domingo


Aqui um tour para quem está poucos dias em Roma e quer aproveitar bem o Domingo.
Não perca tempo perdendo-se em Roma, reserve seu tour com a gente!



Nós aconselhamos de inciar cedinho com o Coliseu, e ver Roma Antiga.  Depois segue-se para a benedição do Papa na Praça São Pedro, e depois mergulhamos no centro histórico por ruazinhas e becos até a Ponte Sant'Angelo, passando pelo PantheonFontana di Trevi e Piazza Navona, para acabar na maravilhosa Piazza di Spagna.

sábado, 4 de maio de 2013

Basílica de São Lourenço, Milão

Aqui vai um pouco de Milão, já que tenho tido muitos viajantes para esta destinação, que vão passear com a nossa guia em português, Anna.

Basílica de S. Lourenço, foto de Ciccio Pizzettaro


É um importante edifício da Igreja Católica em Milão, primeiramente construído na época dos romanos e modificado muitas vezes no decorrer dos séculos. Esta basílica é uma das mais antigas de Milão e foi construída fora dos muros da cidade, na Via Ticinese, uma estrada que ligava Milão à Pavia.
A basílica foi construída sobre uma colina artificial para evitar  de inserir os alicerces em terreno pantanoso, perto da principal entrada da cidade, a Via Ticinensis, perto do palácio imperial e do anfiteatro, de onde foram retirados parte dos materiais para a construção do templo. O complexo era circundado por vários cursos de água que se uniam para formar a Vettabbia, que é um canal para o qual afluem as águas piovanas milaneses, com direção às zonas agrícolas, ao sul da cidade.

A construção original foi feita entre o fim do IV séc. e início do V séc. e ainda têm-se muitas dúvidas a respeito de quem mandou construí-la. Alguns historiadores atribuem a sua construção ao imperador Valentiniano I (321 d. C.- 375 d. C.- ) ou Valentiniano II (371 d. C.-392 d. C.), através do Bispo Aussêncio (355 d. C.- - 372 d. C.). Outros historiadores datam a fundação desta igreja a um período posterior, entre 390 e 402, e atribuem a comissão a Teodosio I ou a Stilicone. Em todo o caso, no seu tempo, esta igreja era a maior com planta centralizada do seu tempo (planta baixa simétrica) no ocidente. A dedicação do templo a São Lourenço é atribuída no ano de 590, quando Milão já era dominada pelos longobardos.

Colunas de S. Lourenço, foto de Ciccio Pizzettaro

Nos séculos seguintes inicou-se uma grande decadência em Milão e na Itália, em geral. Apesar disso, a Basílica de São Lourenço continuou sendo frequntada pelos milaneses: como foi construída numa pequena colina artificial, adquiria o valor simbólico do Monte das Oliveiras e no Domingo de Ramos o bispo benzia os ramos e oliveiras e guiava uma procissão que ia da basílica ao centro da cidade, até a Basílica de Santa Tecla.
Os séculos XI e XII foram cenários de várias calamidades, como incêndios (sobretudo o terrível fuoco della Cicogna de 1071, que devastou a basílica) e terremotos, que abalaram as suas estruturas ao ponto de ser necessário iniciar os trabalhos de restauro entre os séculos XII e XIII. Na metade do séc XI, o espaço nas costas da basílica, chamado Vetra, foi escolhido para execuções capitais, costume que durou até o ano de 1840 e doi descrito pelo escritor Alessandro Manzoni na sua "História das colunas infames".
Os novos muros da cidade medieval abraçaram a basílica em 1167, ao lado do novo "Porta Ticinesa".

Por toda a idade média a Basílica de São Lourenço foi um símbolo de herança do império romano, particularmente depois da destruição dos outros resquícios romanos por Barbarossa. No Renascimento, o templo transformou-se num símbolo de cânone clássico perdido, procurado pelos humanistas, e foi estudado por Bramante, Leonardo e Juliano de Sangalo. São encontradas diversas referências em pinturas da época.
Dia 5 de Junho de 1573, a cúpola da basílica caiu repentinamente, graças a Deus, sem causar vítimas! Os trabalhos para a reconstrução foram concluídos em 1619.
Dutante o restauro aconteceu um milagre predito pelo arcebispo Carlo Borromeo: um ano antes da sua morte, em 1585, uma mulher doente foi curada na frente do quadro da "Madona do leite", que ficava esposto na Praça da Vetra. A partir daí, as oferendas se multiplicaram e o trabalho de restauro foi acelerado. Em 1626, quando todos os trabalhos de restauro foram completados, o quadro da "Madonna do leite" foi transferido ao altar maior, onde se encontra até hoje.
Nos anos '30 do século XX, o governo austríaco iniciou um desenvolvimento da Vetra (praça atrás da basílica): casas onde moravam curtidores de couro foram demolidas, o canal foi coberto e as execuções, abolidas. Depois dos bombardamentos de 1944-1945, as casas destruídas não foram reconstruídas e foi criado o Parque das Basílicas, do qual se tem uma linda vista do complexo.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Guia de Milão em português

Milão, capital mundial da moda, rica e sofisticada mistura de sabor antigo com mundo contemporâneo. O que conhecer, onde hospedar-se, como otimizar o tempo? Reserve já a tua visita com Annamaria! Escreva para patcarmobaltazar@gmail.com.

O maravilhoso, esplêndido Duomo

Milão é uma paixão, uma especial maravilha italiana que vale a pena conhecer nos mínimos detalhes. Sua história, arquitetura, arte e especialidades culinárias. O melhor jeito para quem vem à Milão é, sem dúvida, fazer duas horas de centro histórico a pé com uma guia que te ajuda a desvendar os segredos e significados de um lugar tão especial.

Vitreaux do Duomo

Tenho ficado muito contente com inúmeras pessoas que me escrevem, dizendo que compraram os tickets para ver o "cenacolo", a "Última ceia" de Leonardo da Vinci. Aos poucos nós, brasieleiros, especialmente os leitores do blog, têm adquirido aqui uma fama de uma nova geração que tem fome de cultura, às quais as guias têm o prazer de passar seus conhecimentos.

São Bartolomeu, Duomo

Galleria Vittorio Emmanuele

Galleria

Teatro Scala

Teatro Scala

Bonde

Torre Filarete del Castello Sforzesco

Castello Sforzesco


 Sant'Ambrogio

As colunas de São Lorenzo

Foto de Robert Rojales

Foto de Rania Hatzi

Foto de Batigolix

Foto de Fusky


Foto de David Martyn Hunt 

Navigli, foto de Andrew Stillman