sábado, 25 de janeiro de 2014

O bairro de Testaccio em Roma

Este post é dedicado ao Marcelo e à sua esposa, Rosana.

Depois de desvendarmos Trastevere, não podemos deixar o bairro Testaccio de lado, também de alma romana. Aqui, a vida noturna é bem movimentada e come-se muito bem. É uma opção para quem já conhece Roma, já viu o centro e começa a conhecer outras zonas da cidade.


Bares e clubs: esquina de Via Galvani com Via Nicola Zabaglia

O valor de Testaccio, como não poderia deixar de ser, é histórico, enogastronômico e cultural: temos uma sede do MACRO, o Museu de Arte Contemporanea de Roma (a outra fica na Rua Reggio Emilia, para os lados da Nomentana). Estamos no bairro da Porta San Paolo dos Muros Aurelianos, ao lado da Pirâmide Cestia e do Cemitério Protestante (ou Acattolico, como também é conhecido aqui), das boates, dos barzinhos e tratorias frequentadas por romanos, e não exclusivamente por turistas, como acontece muitas vezes no centro.


Os restos das ânforas de cerâmica empilhadas,Via Galvani

Via Galvani

Testaccio foi um porto importante durante o período da Roma Antiga. A palavra "Testum" vem da palavra latina "testa", que quer dizer pedaço de cerâmica.

Aqui se encontram restos dos vasos utilizados para o transporte de mármore (como nos conta o nome da rua que o delimita na sua parte Norte, a Via Marmorata), grão e vinho, que eram cuidadosamente colocados sempre no mesmo lugar, e que deram origem ao "Monte dei Cocci": uma verdadeira colina com 700m de perímetro, 400m de altura, com uma superfície de aproximadamente 22.000m2, somando um total de 25 milhões de ânforas de cerâmica.

Graças às marcas carimbadas nas ânforas, podemos delimitar o tempo e a origem destas ânforas: entre a primeira metade do século II d.C e o III d.C.. A maior parte delas vinha da província romana de Betica, que ficava na Andalusia e continha azeite. A menor parte vinha de províncias africanas.


Muro que divide o Cemtério Protestante e o bairro de Testaccio

Para o romano, são as famosas festas de Carnaval que aconteciam aqui, documentadas pela primeira vez no ano de 1256 e que aconteceram até aproximadamente 1470, que o ligam à esta zona.
No início do século XVI abriram os primeiros depósitos de vinho, que deveriam servir às hosterias (originalmente pousadas) que aumentavam nesta região. 

Daí à transformação a um bairro boêmio não foi difícil!


Aos pés do Monte Testaccio!

A feira de Testaccio foi o coração do bairro por vários anos. 
Qual é o charme das feiras de Roma? Além de serem mercadorias fresquíssimas e deliciosas (o cheiro do tomate, você sente no ar!), os feirantes vendem apaixonadamente seus produtos, dando receitas de como prepará-los "Senhora, a puntarella é facílissima de preparar, faça assim (...)". Não importa se verdura, peixe ou carne, vale sempre a pena anotar e experimentar as suas dicas! 

Desde 2012 a feira foi transferida para a Via Galvani, em 6.000 m2 de área coberta. A maioria dos feirantes permaneceu a mesma, com algumas excessões que, pela idade, resolveram aproveitar para se aposentar, como aconteceu com o vendedor de tomates, que tinha tomates das mais variadas espécies, de toda a Itália. Quem gosta de ver os verdadeiros produtos típicos, como a pasta fresca ou produtos biológicos e comer bem, vai adorar a feira no seu novo endereço!

Testaccio é o bairro do time de futebol "Roma".

Monumentos de Testaccio:
- Fontana de Lungotevere Testaccio, feita em 1869 pelo Papa Mastai. Esquina de Via Marmorata com Lungotevere Testaccio.
- Monte dei Cocci
- Porticus Aemilia, na esquina de Via Rubatina com Lungotevere. Ruínas de um antigo armazém com estrutura em pedra de tufo. O edifício tinha dimensões de 490m X 55m, com uma superfície de 25.000 m2. A estrutura era dividida em 295 colunas, com navadas de grandeza de 8m cada uma.
- Igreja Santa Maria Liberatriz - feita na virada do século XX por um arquiteto de Turim, foi realizada em estilo românico, com fachada em tijolos e mármore travertino. O mosaico central representa o Cristo crucificado, com Maria Madalena e o Apóstolo João, que o observam.
O interior é dividido em três naves. O pavimento central tem tema geométrico em branco e preto e símbolos do zodíaco.
O afresco da ábside (fecho da abóbada) representa a Santíssima Trindade e o Milage da Encarnação, que Luciano Bartoli realizou entre 1956 e 1964.

- MACRO Testaccio
Piazza Orazio Giustiniani, 4, 00153 Roma, Itália

+39 06 6710 70400
Abertura: de terça à domingo, das 16 às 22h.
Fechado: segundas-feiras; 24, 25 e 31 Dezembro; 1º Janeiro; 1º Maio
Entradas:
Inteira: 6 €
Meia: 4 €
Entradas combinadas: MACRO Via Nizza + MACRO Testaccio
Inteira: turistas: € 14,50
Meia: turistas € 12,50

Como chegar em Testaccio:
- com um táxi, do centro, dependendo do trânsito, entre 15 e 20 minutos
-  De Trastevere: Tram (bonde) número 3 ou ônibus n. 75. Do lado Lungotevere: ônibus 23 ou 280.
-  Da Estação Termini: Metrô B, parada Piramide.

Onde comer em Testaccio:
- várias pizzarias e sorveterias por quilo espalhadas pelo bairro;

- Pizzeria da Remo - ambiente ultra-descontraído e preços baixíssimos, autêntica confusão romana deliciosa. Não reservam, sempre cheio, chegue cedo para pegar seu lugar!

Piazza Santa Maria Liberatrice, 44

- Retaurante de carne: 
Angelina a Testaccio 
- jantar, após às 20h. 
Aconselha-se reservar mesa. Atmosfera rústica de sabor refinado.
Via Galvani, 24A 
06 5728 3840
Aperitivo no terraço a partir das 18h.
Fechado aos Domingos.

Onde tomar um aperitivo em Testaccio:

Enoteca Palombi

piazza Testaccio, 38/41

Onde dançar em Testaccio:

Radiolondra - disco bar
Via di Monte Testaccio 67 - Testaccio (fechada 2ªas e 3ºas - controlar dias de abertura!)

Akab-Cave (bar/disco)
Via Monte Testaccio, 69 (Zona Pirâmide) - Testaccio - 06 57 82 390

Mais Roma Noturna aqui: http://guiaderoma.blogspot.de/2010/02/night-life-em-roma.html

Recebi um pedido muito especial sobre loja de acessórios para motos do Arthur. Aqui em Testaccio tem uma loja para apaixonados pelas duas rodas!

Loja de acessórios para motos em Roma Testaccio:
Marmorata Freedom Machine
Via Marmorata, 151 - 155
00153 Roma
Testaccio, Ostiense
Telefone: 06 5746443
Horário da loja: 09:00h - 19:30h - atenção que acho que fecham para a siesta! 
Fecho: Domingos

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Seis cursos de cerâmica para principiantes na Toscana

Há dois anos promovo os cursos da melhor escola de cerâmica na Toscana.
As técnicas nos cursos oferecidos são avançadas e até valem créditos em algumas universidades americanas, como no estado de Virginia.

Recebi um email com pedidos para cursos para principiantes, então aí vão seis sugestões de cursos de cerâmica para quem deseja aprender em uma imersão total na Toscana

Para mais informações: patcarmobaltazar@gmail.com.

1) "O diário", com Maria Geszler- Garzuly 
Workshop onde será criado um diário em argila, que servirá de suporte para serigrafias que serão aplicadas em suas páginas.



2) Criação de jóias, com Martha Pachón Rodríguez
Desenhar, cortar e dobrar a porcelana. Compreensão de antigos métodos asiáticos em porcelana e técnica para realizar formas negativas com as quais realizar a reprodução de jóias. 
Este curso é para principiantes mas requer habilidade manual!



3) Escultura com papel machê, com Rebecca Hutchinson 
Adaptar o papel machê para a realização de esculturas é o objetivo deste curso. Vamos trabalhar a ausência de peso e a qualidade translúcida do material.



4) Escultura em forno a lenha, com  Donna Polseno
Neste workshop a figura humana será utilizada como referência para o desenvolvimento de esculturas. As formas do corpo humano serão utilizadas como pontos de partida para a exploração de formas tridimensionais, dando ênfase à essência da forma e não o tradicional "retrato".

5) As maravilhas da técnica Ágata, com Susan Nemeth
Neste curso a técnica do Neriage para obter cores e formas, utilizando várias técnicas de engobe em camadas e porcelanas coloridas. 



6) Criatividade livre, com Sandy Brown
Palavra de ordem: liberdade para experimentar! A instrutora Sandy é famosa por criar uma atmosfera onde os alunos se sentem livres para se lançarem em mundos novo e descobrirem formas inusitadas sobre as quais desenvolver o próprio lado criativo.


E se você já tiver conhecimentos suficientemente avançados na técnica em cerâmica, veja a oferta dos outros cursos aqui: Cursos de cerâmica na Toscana 2014 
  http://guiaderoma.blogspot.de/2013/11/cursos-de-ceramica-na-toscana-2014.html

domingo, 19 de janeiro de 2014

Bate-e-volta à Palestrina

Vale a pena fazer um bate-e-volta de Roma à Palestrina?

Vista da montanha Ginestro, com a cidade de Palestrina

Nós, felizes da vida, antes de entrar no museu!

Palestrina fica a 43 km de Roma, a 450 metros sobre o nível do mar.

A ocupação mais antiga deste território é do século VIII a.C., de acordo com sepulturas encontradas. Destas ruínas, inferimos que a sua população mantinha contato com os Etruscos e com o mundo grego do mar Egeu.

Os historiadores Tito Lívio (59 a.C. – 17 d.C.) e Dionísio de Halicarnasso (~ 60 a.C.– 7 a.C.) discutem sobre a sua relação com Roma, sobretudo sobre a data de quando foi  definitivamente submetida à ela. A cidade seguramente adquiriu importância depois da IIª Guerra Púnica (218 a.C. - 202 a.C) e foi neste período que a urbanística de Praeneste foi o palco de grandes transformações que nós podemos observar ainda hoje!

Com a queda do Império e as declarações de Teodósio (ano de ~390 ) contra os cultos pagãos, o grande monumento foi ocupado e utilizado como moradia, o que da um lado o danificava, mas do outro mantinha a sua majestosa estrutura. Seguiram invasões de bárbaros e a ocupação dos Longobardos de Ataulfo no ano de 752.

O primeiro documento que menciona o nome moderno "Palestrina" é do ano de 873.
Em 1043, o feudo passou através de mecanismos hereditários à família romana Colonna e foi o seu refúgio durante os ataques de Cola de Rienzo (um político e tribuno dos plebeus que lutava contra os privilégios da nobreza). Essa família conseguiu manter o feudo até o século XVII, sofrendo muitas invasões (dos Borgia, em 1503, e do Duque de Alba, 1553).

Foi aqui que nasceu Pierluigi da Palestrina (1525 - 1594), pai da música polifônica. Ouça "O Magnum Mysterium" de Palestrina:



Em 1630 o feudo foi definitivamente vendido por Francesco Colonna a Carlo Barberini, irmão do Papa Urbano VIII, por 775.000 escudos (que em uma cotação fictícia de hoje seria equivalente a
€ 29.062.500).

No século XVIII o território teve um grande desenvolvimento agrícola e inúmeras tropas estrangeiras passaram por aqui: alemãs (1701; 1711), espanholas (1734; 1736), napolitanas (1799) e francesas (1802).

Entrada da Cattedrale di Sant'Agapito martire

Palestrina hospitou o quartel general de Giuseppe Garibaldi, em 1849 durante a segunda República Romana.

Entre  1895 e 1897, Heinrich e Thomas Mann também passaram muito tempo nesta cidade!

Museo Archeologico Nazionale di Palestrina

Entrada do museu

Vista de tirar o fôlego da frente do Museu de Palestrina

O museu foi montado em 1956 dentro do Palazzo Colonna Barberini, construído em cima do santuário antigo do período helenístico da "Fortuna Primigênia", do séc. II a.C.. O acervo é constituído por inúmeros achados: colunas com símbolos funerários (cippi), bustos, bases funerárias, estátuas e objetos de uso quotidiano, provenientes da necrópole "Colombella" e da "Selciata" (arredores de Praeneste, hoje Palestrina).

Caprichando na pernada para descer e subir na área arqueológica na frente do museu

A nossa subida para o museu foi muito especial, pois tinham fechado uma rua, por isso passamos dentro de uma parte de um prédio da prefeitura (parte do antigo Foro de Praeneste), que tinha mosaicos que não ficam abertos ao público - o Antro delle Sorti. Como estávamos festejando os nossos aniversários, recebemos um presente muito especial: a senhora que estava cuidando daquela área naquele dia nos disse de esperar, atravessou o gramado e voltou com um balde de água.

Olhem o que ela fez:

O mosaico "desligado"

"Ligando" os mosaicos com água!

Olhem o efeito maravilhoso do pó indo embora e o mosaico "acendendo"

Mosaicos com temas marinhos, Palestrina

Mosaicos com temas marinhos, Palestrina

Mosaicos com temas marinhos, Palestrina

Na entrada do museu, temos a "Tríade Capitolina de Guidonia", do final do II século a.C., que representa Júpiter, Juno e Minerva no trono.

O complexo do santuário da "Fortuna Primigênia" foi um lugar de culto ativo durante o II séc a.C. e representa um grande exemplo de arquitetura cenográfica antiga: a área da cidade corresponde à da cidade que vemos hoje, existiam seis terraços artificiais interligados por escadas e rampas decoradas em estilo pompeiano, com preciosas incisões votivas e exedras ("construção descoberta de planta semicircular, com assentos fixos na parte interior da curva.", definição do site engenhariacivil.com) assimétricas. No centro tinha uma arquibancada semicircular, que foi englobada na construção do Palácio Barberini, construído no século XV pela potente família Colonna.

Sala do primeiro andar do museu: beleza com sabor de antigo e manieirista

Dentro do Palácio existem afrescos dos famosos irmãos Zuccari

Sala do térreo do museu

Busto de mulher, foto Sergio D'Afflitto

Uma das salas mais interessantes é  dedicada aos cultos antigos realizados em Praeneste. Outra sala imperdível é a sala com os  grandes mosaicos helenísticos (ano ~ 80 a.C., de dimensões: 5,85 x 4,31 m) com o "Mosaico do Nilo", que veio do Foro de Praeneste e que representa cenas do Egito Antigo como a cheia do Rio, e a Alessandria, com (muito provavelmente) o palácio dos Ptolomeus. A simples visão deste grande e exímio mosaico é já razão para vir à Palestrina!

"Mosaico do Nilo", nós três, abobalhadas da beleza deste mosaico

Temos ainda mil coisas pra ver: esculturas e objetos relativos ao culto da Deusa Fortuna, além de outras esculturas do período helenístico e cópias de obras-primas gregas. A maior parte destes trabalhos foi realizado entre os séculos II a.C. III d.C. e são testemunhas do culto à deusa da fertilidade na antiga Praeneste.   Outros achados nos contam como no final do II a. C ocorreu um precoce sincretismo entre a Deusa Fortuna Primigênia e a divinidade oriental Ísis (em mármore Bigio, isto é, de cor cinza).

A maquete no último andar do antigo Santuário da Deusa Fortuna Primigênia

Aproveite também para ver um dos famosos rilievi Grimani, aqui temos a javali fêmea com filhote, falei destes relevos no post sobre a Exposição "Augusto".

Fêmea de javali

Outras maravilhas de Palestrina contam com o Museu Diocesano de Arte Sacra, Museu della Resistenza e dos Onze Mártires; a Porta do Sol (o antigo portão de entrada da Palestrina de 1642, também realizado pela família Barberini), e se for Primavera ou verão, podemos passear no Parque Natural da Valle della Cannucceta!

Museo Archeologico Nazionale di Palestrina
Endereço: Palazzo Barberini, Piazza della Cortina
Tel. 06/9538100 Fax 06/9538100
Horário de abertura: 9.00-20.00 (até o pôr-do-sol) 
Entradas:
Inteira € 5,00; 
Meia € 2,50 (18-24 anos)
Grátis para menoresde 18 anos e maiores de 65 com passaporte europeu

Museu Diocesano de Arte Sacra
Palazzo Vescovile, Via Roma 23 - Palestrina
Tel. 069534428 - Fax. 069538116
Horário de abertura: 
- Quintas e Domingos: das 15:30 às 18:30
- Sextas e Sábados: 9:30 - 12:30 e 15:30 - 18:30
- Durante Julho e Agosto as aberturas de tarde são: 16:00 - 19:00
Entradas:
Inteira € 4,00
Meia: € 3,00

Museu della Resitenza e degli Undici Martiri
Via Pedemontana - 00036 Palestrina (RM)
tel: 06 9573176
Visitas sob reserva: +39 06/95302272-271

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Bate e Volta de Roma: Pompéia

Vale a pena fazer um bate-e-volta de Roma à Pompéia?


Um guia da nossa equipe explica o Teatro Grande e depois faz o teste de acústica

"Visitar Pompeia é uma experiência indescritível. Conhecer a cultura dos habitantes, a história de Pompeia e as técnicas de preservação dos restos humanos é essencial para quem se interessa um pouco pela cultura do povo latino. É um passeio que deve ser incluído no roteiro de quem vai à Itália, mas é imprescindível a presença de um guia, nada teria valor se não fosse pelo conhecimento e pela companhia de um guia, nesse caso, eu indico os guias oferecidos pela Patrícia que foram fundamentais para o sucesso de minha viagem.

Eu particularmente gostei de todos os guias oferecidos e amei poder conhecer Roma e Pompeia, espero voltar com meus filhos e netos. 
Bjs
Fátima"

Visite também a antiga cidade da foz do Rio Tibre, Ostia Antiga!


Explicações fundamentais no interior de uma Domus

Foto de Vascoplanet

Como já mencionei em outros posts, esta é uma pergunta difícil para mim, e aprendo muito com os meus clientes que vem com o tempo precioso contado e que deve ser aproveitado ao máximo! Eu moro aqui há tempo demais para poder avaliar certas coisas. Fátima, como Celso, Pablo, Alexandre e inúmeros outros clientes que me pediram orientação para serem guiados em Pompéia, me relatam que um bate-e-volta é absolutamente importante para quem vem à Roma.


Foto de Vascoplanet

Só para citar um exemplo pessoal e conversar um pouquinho com você, leitor, posso contar de uma experiência que fiz anos atrás na Croácia. Fui parar num lugar paradisíaco que se chama Hvar (se pronúncia RRvar, kkk), numa praia com água cristalina, limpa, enfim, o paraiso que precisava para poder descansar do meu trabalho e recarregar minhas energias. Eu tinha 15 dias de tempo antes de voltar para a Itália. Depois de uma semana, eu tinha uma meia ideia de ir à Sarajevo, passando po Mostar (por que estava no caminho). Eu não tinha a menor ideia se algum dia, apesar da proximidade com a Itália, eu voltaria à Croácia e à Bósnia. Com o coração pesado, deixei meu vidão de sol, mar adriático transparente maravilhoso e tardes inesquecíveis com vinho excelente em Starigrad, e me pus em caminho da nova aventura.

Hoje, 15 anos depois, não me arrependo de ter ido à Mostar, Sarajevo e ao retorno, Split (Espálato, maravilhosa, elegante e com tantas ruínas romanas), pois nunca mais tive a oportunidade de voltar àquelas bandas.


Essas enormes pedras nos cruzamentos, por que?
Essa e mil outras curiosidades explicadas com profissionalidade e bom humor!

Desculpe o assunto tá fora de mão para um blog que há 4 anos fala de Roma e arredores, mas achei que valia a pena comentar este fato, pois achei que a situação era análoga e poderia ser útil à quem vem à Roma e tem intenções de fazer os famosos bate-e-volta a partir da minha Eterna, eternamente bela.

Aqui vai o relato de viagem de Celso, que veio em  2012 à Roma e fez  bate-e-volta à Nápoles e Pompéia com um serviço de transfer.


Afrescos de Pompéia, foto de Vascoplanet

O bate-e-volta de Pompéia, quando feito com um carro com motorista para facilitar a viagem, pode incluir Herculano e Nápoli. Com o trem, visita-se facilmente Nápoli.

Foi o que Celso fez com a sua família:

Fizemos esta viagem para Pompei sugerida pela Patricia e realmente é impressionante. Vale muito a pena. Ida para a Itália com uma passagem por Pompei é essencial e pode ser viagem de um dia, como fizemos saindo de Roma pela manha, um passeio de 2 horas por Pompei com guia, uma boa pizza napolitana e retorno a Roma. Fica aí a dica. Vale a pena!". 

Este comentário está no post: http://guiaderoma.blogspot.de/2012/03/pompei-e-ercolano-para-quem-esta-em.html.

Reserve já a sua visita com uma guia italiana que aprendeu português para atender o viajante de língua portuguesa e evite filas! Escreva um email para patcarmobaltazar@gmail.com.


Afrescos de Pompéia, foto de Vascoplanet

Como funciona o tour com guia?

Os meus colegas de Nápoli, com um alto nível de formação e uma boa dose necessária de paixão pelo que fazem, acompanham viajantes de língua portuguesa há anos. O percurso clássico segue pelo Teatro Grande, Teatro Piccolo, pelas Botteghe (oficinas), casas privadas, com seus afrescos e mosaicos em excelente estado de conservação, as ruas principais, as Lupanare (bordéis), as Termas, o Foro, os Templos, os moldes em gesso, a Basílica, até a Porta Marina. Duração mínima: 2h.

Mas se você gosta mesmo de arqueologia, não perca a oportunidade de visitar com uma guia de turismo o Teatro de Ostia Antiga e a cidade onde ele foi construido! http://guiaderoma.blogspot.it/2013/12/ostia-antica.html



 Capitólio de Ostia Antiga

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Bate e Volta de Roma: Veneza

Vale a pena fazer um bate-e-volta de Roma à Veneza?


Rodnei e Marcia

Só um viajante pode responder à esta pergunta que muita gente me faz e que eu acho muito difícil responder. Por isso nós temos aqui a experiência de Rodnei, que veio com a esposa e mais um casal de amigos, todos muito animados e apaixonados pela Itália.

Rodnei e Marcia, apaixonados e apaixonados em Veneza! 

"Bem sobre Veneza, SIM, vale muito a pena fazer um bate e volta de trem.
Eu já fiz Veneza em outra oportunidade com ônibus de turismo e nada, mas nada substitui o passeio de Trem.
Muito mais confortável, pontual e claro muito mais rápido.

Minha dica: não compre o bilhete no Brasil via sites ou agência, é bem mais caro!!!
Fiz a experiencia de comprar os bilhetes direto na Estação central de Roma!!!
Tinha a certeza que não conseguiria comprar os bilhetes pois deixei para última hora.
Nós, brasileiros, temos o péssimo hábito de achar que nada irá funcionar e realmente as passagens de trens na ITALIA funcionam, e funcionam muito bem.
Fiz a compra dos bilhetes no dia anterior a viagem sem nenhum problema, simples, rápido e barato.

Bem, a viagem durou 2,5 horas e chegamos em Veneza as 10:00 hs da manhã, o bilhete de volta a Roma estava marcado para as 19:30h.
Assim que chegamos na estação de Veneza já pudemos observar os pontos de vendas de passagem para os ônibus de Veneza ( Barcos fechado  para 20 ou 30 pessoas ).


 

Compramos as passagens e em questão de 30 a  40 minutos se não me engano já estávamos na Praça de São Marcos.

Passeamos por todas as belezas de Veneza...




... e no horário pre-determinado pegamos novamente o ônibus e voltamos a estação central de Veneza para regresso em Roma.



A Volta é demais, pois como estavámos cansados acordamos já em Roma… fantástico para quem sofre um pouco de insônia como eu, rssss.



Com certeza repetiremos novamente em uma próxima visita a Roma.



Abraços

Rodnei e Marcia" 


Rodnei partiu com o trem FRECCIARGENTO 9402 de Roma Termini às 06:50h, com chegada às 10:35h em Veneza Santa Lucia.
O retorno foi com o FRECCIARGENTO 9455 de Veneza Santa Lucia das 19:25h, com chegada às 23:10 em Roma Termini.

Em todo o caso, o ideal é fazer tudo isso com calma, pois os arredores de Veneza também prometem - como não poderia ser diferente nesta Itália:



Se quiser uma guia em português em Veneza, escreva para  patcarmobaltazar@gmail.com.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Bate e Volta de Roma: Florença

Vale a pena fazer um bate-e-volta de Roma à Florença?


Panorama de Firenze, foto de Justus Hayes

Este post partirá desta pergunta que me fazem muito para esclarecer como fazer excursões a partir de Roma e hoje começamos com Florença!

Depois vou ver se o Rodnei tem vontade de contar do bate e volta que ele fez à Veneza (êita gente animada!) pra vocês lerem.

Firenze é uma cidade que merece pelo menos três dias, para ser curtida. Ideal seriam 5 dias, pois se você for ver realmente os museus, já dá para passar um dia inteiro nos Uffizi, Galleria Palatina, Palazzo Pitti ou a Casa de Michelangelo, para citar alguns exemplos! Isso sem contar os arredores, as colinas seneses com suas vinícolas e seus vinhos maravilhosos.


Ponte Vecchio, foto de Simen Idsøe Eidsvåg

Se tiver o pique, e não tiver jeito de passar mais dias em Florença, vá!
Você pode sair de Roma com o trem 9566 FRECCIAROSSA direto das 07:05, com chegada às 08:36 em Firenze. A estação "central" se chama Santa Maria Novella. Naturalmente eu aconselharia de pegar uma guia para... por várias razões e aqui citarei duas:

1) economizar tempo, indo diretamente aos monumentos mais importantes;
2) ter todas as explicações necessárias para poder ir embora da cidade com uma boa ideia da história da cidade, sua arquitetura e sua arte.

Fundamental ver a Piazza della Signoria com seus monumentos: Palazzo Vecchio, Loggia dei Lanzi, Uffizi, Ponte Vecchio, Mercato Nuovo, Piazza della Repubblica e Piazza del Duomo.


Perseu com cabeça de Medusa, Foto de Studio Grafico Epics

Algumas (como escolher?!) igrejas são verdadeiros museus, e são também um must! O explêndido Duomo, documento vivo do Renascimento fiorentino, Santa Maria Novella, Santa Maria del Carmine com maravilhosos afrescos de Masaccio, a românica San Miniato, e as esculturas de Michelangelo na Capela Medici dão uma ideia da riqueza desta mágica cidade.

Florença é tão especial, que parece um cenário... com certeza você vai se pegar falando "Noooossa, como é que projetaram esta cidade tão linda?" É neste momento, que quando uma pessoa que nasceu e mora naquele lugar, pode te contar ao vivo e a cores na tua língua sobre as coisas que você está vendo, é que você entende que guias são uma delícia de ter ao seu lado numa cidade tão maravilhosa que se apresenta como um mistério num primeiro momento. É assim que você vai realmente curtir o passeio. Palavra de quem sofreu muito antes de entender isso!

Em linhas gerais, a Piazza della Signoria é o coração de Firenze, um lugar que "desde sempre" foi habitado pelo ser humano. O que a gente vê hoje ali começou a tomar forma na segunda metade do séc XIII, quando começou a virar o centro da vida politica dos moradores, em contraposição ao centro da vida religiosa, que era a Piazza del Duomo.

O "Palazzo Vecchio", na Piazza della Signoria, é a prefeitura da cidade. É um ótimo exemplo de arquitetura do séc XVI italiana.

Para organizar e estruturar sua visita, reserve uma guia em português que faça o centro histórico em ~2,5h em português:  escreva um email para patcarmobaltazar@gmail.com. 

Voltamos à Roma com o trem 9549 FRECCIAROSSA, que sai de Firenze (Santa Maria Novella SMN) às 19:04h e chega à Roma às 20:35 à Roma Termini; se decidirmos jantar antes de voltar, podemos pegar o trem número 9559 FRECCIAROSSA, que sai de Firenze (Santa Maria Novella SMN) às 22:04h e chega à Roma às 23:35h em Roma Termini.


Maravilhosa foto panorâmica no cair da tarde de Toni Rodrigo

Então, valeu o bate e volta?