domingo, 12 de novembro de 2017

Igreja dos Santos Lucas e Martina

 A Igreha dos Santos Luca e Martina no Fórum Romano foi construída sobre uma antiga igreja do VI século por Pietro da Cortona dutante o século XVII e é considerada a sua obraprima arquitetônica.

Igreja dos Santos Lucas e Martina no Fórum Romano

Impossível vir ao Fórum e não notar a enorme cúpola entre o Arco de Setímio Severo e a cúria Júlia, inciada por Júlio César. Mais do que isso, a igreja está atrás da praça do Fórum Romano, aos pés da colina do Capitólio (a antiga acrópole de Roma); poderia ainda dizer que a igreja com a dedicação tão original aos “Santos Lucas e Martina” está na frente da prisão de alta segurança de Roma, chamada prisão “tullianum”.

Fachada, Igreja dos Santos Luca e Martina

Estamos, portanto, falando de uma igreja que se encontra num dos pontos mais densos de história do mundo, pois é aqui que começa a história da humanidade como a conhecemos hoje.

Originalmente, e falamos do VI século, o Papa Onório I tinha erguido a igreja dedicada à Santa Martina. O livro que nos conta sobre todas as estórias dos santos 

Interior cúpola , Igreja dos Santos Luca e Martina

Foi o Papa Sisto V, em 1588, que resolveu juntar os títulos das duas igrejas (do evangelista Lucas e da santa mártir Martina).Pietro da Cortona sempre adorou este lugar e a decadente igrejinha que precisava urgentemente ser restaurada ou reconstruida... e foi isso que aconteceu entre 1635 e 1664.

Nave central, Igreja dos Santos Luca e Martina

O primeiro projeto do Cortona era uma planta central e circular, mas a construção que foi realizada tem uma altíssima fachada dividida em duas partes e com interessantes linhas de força que realizam movimentos em direção ao exterior e a planta final foi uma cruz grega (com todos os braços de igual comprimento).

Durante os trabalhos para a reconstrução foi encontrado o percioso túmulo da mártir Santa Martina, fato extraordinário que fez com que a obra caminhasse rapidamente.

Detalhe cúpola Igreja dos Santos Lucas e Martina - Pietro da Cortona

A igrejinha é especial pois desde a sua re-construção era a igreja gerenciada pelos membros da famosa Academia de São Lucas, que é como se fosse a ordem dos Arquitetos, artistas e escultores do período papal, prestigiosa instituição a qual todos os proissionais tinham que pertencer e que controlava toda a produção artística em Roma.

O óleo do altar representa “São Lucas que pinta a Virgem”, uma cópia de Rafael; a escultura de Santa Martina, um trabalho de Menghini, 1635. À direita, temos um “Martírio de São Lázaro” e à esquerda a “Assunta”, de Sebastiano Conca.

Nave esquerda, São Sebastião, Igreja dos Santos Lucas e Martina


À esquerda do altar, desce-se uma escada onde entramos num segundo ambiente, também desenhado por Pietro da Cortona, com vários monumentos funerários e o túmulo da Santa Martina, desenhada pelo Pietro da Cortona, obraprima em bronze realizada pelo ourives Pescina.

Aqui existem monumentos funerário de vários artistas, entre eles, Pietro da Cortona (com túmulo), Soria e Canova. Para quem deseja elevar o espírito.

Igreja suberrânea, túmulo de Santa MArtina, Pietro da Cortona

Neste momento a igreja abre somente aos sábados de manhã ao público.
Via della Curia 2

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Bernini é o Barroco

Não é um segredo que sou apaixonada pela história antiga e tardo-antiga, mas com a grande exposição sobre Bernini que comemora os 20 anos da re-abertura da Galleria Borghese, chegou o momento de falar do período Barroco, inciando a instigar a sua curiosidade através do homem que foi o maior representante deste período ou estilo: estamos falando do grande Bernini, que é capaz de causar tanto estupor e admiração entre espertos ou leigos em arte! 

Apolo e Dafne

Bernini viveu entre 1598 e 1680 seus longos 82 anos e sobreviveu 8 papas!

Chegou até nós uma anedota sobre o início da sua carreira, já no início da sua adolescência, quando foi levado ao papa Paulo V, que estava curioso para conhecer o tal jovem genial. O papa então pediu a ele que desenhasse uma “cabeça”. E o jovem Gian Lorenzo respondeu “Que tipo de cabeça?”, mostrando que conhecia as diferentes representações entre um Cristo, um profeta, um apóstolo, etc.; já naquele período Bernini tinha sido comparado ao grande gênio do Renascimento, Michelangelo, pelo papa e pelo Cardeal Scipione Borghese.

Davi do Bernini

Bernini é descrito pelas pessoas que o conheceram como um homem de baixa estatura, magro e elegante, com olhos pungentes e brilhantes; seus raciocínios eram extremamente velozes e o seu modo de falar era refinado e continha muitas vezses um duplo sentido, uma grande ironia. 
É o artista que sabe fazer apaixonar os papas, nobres e reis. Bernini será amigo de Cristina da Suécia, rainha protestante que abdica ao trono a favor do Catolicismo (esta história é já um capítolo que deve ser escito separadamente!), vem morar em Roma (no Palácio Corsini de Trastevere) e faz e acontece na vida cultural romana do século XVII. Bernini foi à França e preparou o modelo para a estátua equestre de Luis XIV, que nunca foi realizada, mas cujo modelo podemos ver na Galleria Borghese.

Santa Teresa, Bernini

Apesar de ser um escultor e arquiteto, Bernini era louco pela pintura e seu trabalho, uma vez escrutinado pelos últimos históricos da arte, pode ser considerado como uma escultura que tem uma forte inspiração na pintura, quase em uma tentativa impossível de imitá-la - e vemos isso facilmente nos infinitos e milimétricos detalhes das suas esculturas e na intenção em definir os diferentes materiais representados: uma folha, a carne humana, um tronco de árvore. Observe “Dafne e Apolo”, por exemplo.

Além de esculturas, obras de arquitetura e pinturas, Bernini realizou cenografias e escreveu 22 comédias!

Abacuc, Bernini

Um homem com estas características finalizou e transformou a basílica de São Pedro como nós a conhecemos hoje, com seu altar e cattedra de San Pietro, com o baldaquim, com as quatro esculturas na base das colunas que sustentam a cúpola.

Anjo do Bernini, Ponte Sant'ANgelo

Para quem chega de Florença em Roma, nada mais natural do que imergir-se no mundo barroco, que foi uma consequência natural do Renascimento, e mais do que natural, sobrenatural, pois o Barroco vai propor ilusões de ótica e falsas perspectivas, e tudo isso faz com que este estilo seja muito sedutor; aliás, sedução é a palavra de ordem do período da contra-reforma, para não deixar de mencionar o papel fundamental que a arte vai exercer nas discórdias entre católicos e protestantes - tema que vai ser aprofundado logo mais neste blog.

Santa Veronica, Bernini

Obras do Bernini podem ser vistas na Piazza Navona, Ponte Sant'Angelo (na frente do Castel Sant'Angelo), na igreja   Santa Maria della Vitória, Basílica de São Pedro, Santa Bibiana,  Galleria Borghese, São Francesco a Ripa, Santa Maria del Popolo, para citar as mais importantes.
 
Quando vier à Roma, delicie-se com o Barroco da Galleria Borghese, além da Basílica de São Pedro e das igrejas principais deste período: Igreja de Jesus, Santo Inácio e Santa Maria della Vitória.

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domingo, 5 de novembro de 2017

São João dos Florentinos

São João dos Florentinos é uma igreja de Roma que fica na parte noroeste do Campo Márcio (perto do Vaticano e do Castel Sant'Angelo) e foi construída pela comunidade florentina que viveva em Roma sobre uma antiga igreja que se chamava Santa Maria della Fossa e consagrada em 1504. A igreja foi restaurada em 1727 e 1888. 

São João dos Florentinos, fachada

A zona na qual foi construída é muito especial, pois no período dos reis (VIII a.C.) aconteciam aqui no mês de Julho corridas de cavalos rituais em trigas a cada 100 anos que tinham o objetivo de equilibrar a energia telúrica. 


No período do Renascimento aqui perto existia o “Consulado Florentino” e moravam várias famílias florentinas que mantinham atividades econômicas com o Vaticano, eram os primeiros banqueiros – o mais famoso deles aqui era Agostino Chigi (veja post sobre a Villa Farnesina). Além disso, a Via Giulia tinha acabado de ser construída pelo Papa Julio II para faciliar a pelegrinagem em direção à Basílica de São Pedro.

São João dos Florentinos, cúpola da nave central

A igreja tem uma fachada monumental realizada por Alessandro Galilei no século XVIII. Seu interior é sóbrio e elegante, e a nave central possui colunas em pedra serena (dos arredores de Florença). 

São João dos Florentinos, altar, Raggi

A segunda capela da direita possui afrescos de Horácio Gentilleschi (o pai da famosa pintora caravaggesca Artemisia Gentilleschi). O altar foi realizado pelo Borromini e o relevo com o batismo é do Raggi.
Ainda digno de nota é o afresco do teto da Capela Sacchetti, do Lanfranco, que “fura” o teto.

São João dos Florentinos, CApela Sacchetti, Lanfranco

Aqui repousam os restos mortais do grande Francesco Borromini e do personagem da alta sociedade romana do século XVIII, o Marquês do Grillo. A quarta capela da direita possui um quadro, palla d'altare, de Carlo Maratta.

São João dos Florentinos, São Jerônimo,

Non è por nada não, mas esta é mais uma das igrejas-museus da cidade de Roma.  Aproveite para vistiá-la na volta da sua estadia nos Museus Vaticanos ou Castel Sant'Angelo!

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Endereço: Piazza dell'Oro esquina com Corso VIttorio Emanuele II

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Sepultura do padeiro Eurisace

"A tumba do padeiro"

A sepultura de Marco Virgílio Eurisace e de sua esposa, Atistia, é uma das pequenas preciosidade de Roma.  Trata-se de uma estrutura em mármore com 7m de altura e realizada em mármore travertino que nos conta as várias fases da preparação do pão.

Tumba do padeiro Marco Virgilio Eurisace e de sua esposa

Grudada nos Muros Aurelianos, mais precisamente no trecho de "Porta Maggiore", onde bem 8 dos 11 aquedutos antigos entravam em Roma, encontramos a fabulosa sepultura.

Sepultura do padeiro Eurisace, passeios particulares

Eurisace tinha sido um escravo grego que adquiriu a liberdade e, uma vez que se fez homem-livre iniciou a trabalhar como padeiro. Ele chegou a ter tanto sucesso com a sua profissão, inicialmente ganhando a licitação para fornecer o pão ao exército romano(!), que transformou-se em um verdadeiro empresário-padeiro e pode mandar construir uma majestosa tumba para sí e para a sua esposa de grandes proporções e relevos que contam o como fazia-se o pão.

Sepultura do padeiro Eurisace

Os relevos contam  desde o procedimento de pesar e macerar o grão, peneirar a farinha, passando pela realização da massa, até à realização dos pãezinhos. Na parte que foi removida da sepultura acredita-se encontrasse o relevo com os retratos do casal, que hoje encontram-se nos Museus Capitolinos. A única urna funerário encontrada foi a de sua esposa, que tinha a forma de uma "madia" (uma forma de madeira na qual se trabalhava e conservava o pão na antiguidade) e que pode ser vista hoje no Museus das Termas.

Do ponto de vista do estilo, as representações não tem a elegância que vão adquirir posteriormente, e que veremos comumente no auge do período de Augusto (como por exemplo nos famosos "rilievi Grimani"), ou ainda mais tarde, na obraprima que é a coluna de Traiano, mas o fato desta sepultura ter cegado até nós é, em todo o caso, uma curiosidade muito interessante!  

 Porta Maggiore, Sepultura do padeiro Eurisace

Muitos escravos ganhavam a sua liberdade (comprando-a, por exemplo) e se transformavam em peças importantes para a sociedade romana, penso a Stênio, escravo de Cícero e tratado a pão de ló pela sua inteligência e importância na vida deste importante político, foi uma estrela do mundo escravo por possuir uma inteligência e astúcia bem acima do normal; Stênio foi o inventor da stenografia!
Da série "escravos-emprendedores" podemos também mencionar os armazéns Epagathiana e Epafroditiana em Óstia Antiga. Estes escravos possuiam armazéns de enormes proporções e a sua função ainda não foi inteiramente esclarecida pelos arqueólogos; acredita-se que funcionassem como uma espécie de banco ou caixa-forte por causa da segurança das suas portas... que funcionam como armazém de peças importantes e sem colocação no Museu de Óstia Antiga até hoje.

Sepultura do padeiro Eurisace, detalhe

Sepulturas, casas, ruas e edifícios importantes do período imperial podem ser vistos em excelente estado de conservação na cidade de Óstia Antiga.

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segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Estrada do vinho do rio Mosel

Estrada do vinho do rio Mosel, a caminho de Trier


A região do Mosel é considerada a mais antiga plantação de vinhedos da Alemanha, introduzida com grande pompa e circunstância pelos romanos, muitos após à conquista da Gália Cisalpina por Júlio César (55 a.C.), poisó no final do III séc. d.C. É que iniciaram as plantações de vinhedos. Durante bons 200 anos o vinho era aqui um produto importado! Ainda hoje não é claro se já plantassem uva aqui antes da chegada dos romanos, mas uma vez introduzidos os vinhedos, nunca mais eles pararam a produção de vinho, nem mesmo com a invasões das tribos germânicas.


Pausa picnic

Cada um tem uma razão para fazer esta estrada do vinho. A minha era chegar em Trier e ver a Basílica de Constantino, que estava estudando. Em Koblenz pegamos um carro e fomos para mais uma aventura. Depois de dias frios num verão atípico demais, não via a hora de chegar num lugar mais aconchegante. De repente as cores mudam, o ritmo muda e fica tudo mais doce. Isso quer dizer que você chegou na Bundestrasse 49.

Vinhedos do Mosel

Eu sou a fã número 1 dos pic-nics (ou convescotes, diria meu bisavô), por isso assim que embocamos a estrada já comecei a me preparar para escolher o melhor lugar para sentar e admirar este rio tão simpático que corre às vezes mais rápido, às vezes mais lento aos pés destas colinas verdes e férteis – sanduíche comprado no primeiro café onde paramos para fazer uma pausa antes de iniciar!

Vinhedos do rio Mosel

Não tinha me programado para ralentar nem admirar um verão cheio de flores nas varandas, uma enxurrada de casinhas em estilo eixamel e vinhedos que enfeitam cidadezinhas, nem mesmo para tomar sorvete no caminho! Mas foi isso que aconteceu!


O trajeto de 130km se transformou num programão para o dia e me prometi voltar para ficar um final de semana inteiro e visitar melhor a zona. Adorei Cochem, Traben-Trachbach e Burgen.


Em tempos modernos o Mosel era um rio “selvagem” e não navegável, até à metade do século XX.

Aí, Alemanha e França pagaram uma manobra de quase um milhão de marcos para abrir esta estrada sobre as águas; o interesse da França era facilitar o transporte da zona industrial da Lorena com o porto de Roterdam – e os gauleses cacifaram 2/3 do custo da operação.
Pausa sorvete

Da Alta Idade Média à Revolução Francesa, a maior e melhor parte da produção de vinho estava nas mãos da Igreja (monastérios, igrejas, catedrais) e de famílias nobres. A partir daí as propriedades foram divididas (em torno a 2 hectares) entre pequenos proprietários e campesinos, e é assim que encotram-se distribuídas até hoje, com algumas propriedades que chegam à pouco mais de 5 hectares.


A produção de vinho branco aqui é rainha: 90% contra 10% de tinto – com aproximadamente 5300 hectares, é a maior plantação de Riesling do mundo. Os vinhedos de Müller-Thurgau representam 13,7% das partes baixas e planas, plantado sobre a terra fina. Os outros tipos de uva plantados aqui são a Elbling (o tipo mais antigo, introduzido pelos romanos), Kerner, Blauer Spätburgunder, Dornfelder, Weißer, e Grauer Burgunder.

Estrada do vinho do rio Mosel, guia brasileira em Roma
 
Informações práticas

- Minhas pausas para admirar a paisagem foram, com muito gosto: Cochem, Traben-Trachbach e Burgen

- Comprei vinho no:

Weingut Alfred Walter - Hauptstrasse 188 - 56867 Briedel

- Dormi, e retornarei no belíssimo apartamento da Andrea em Trier! http://thebackyard.de/

 

 Fale com a Andrea, do http://thebackyard.de/ - welcome@thebackyard.de

domingo, 22 de outubro de 2017

Erice, na Sicília

Erice é uma aldeia a quase 800m sobre o nível do mar que fica perto de Trapani, na Sicília e é tão antiga que é mencionada por Tucídides, Diodoro Sículo e Virgílio.


Vista do Quartiere Spagnolo
 

Erice foi habitada por um povo chamado “élimos” , segundo Tucídides (pág. 357, “Storie”, Tucídides, Ed.Senecio, 2009)
 Foi uma cidade sagrada para os élimos, fenícios (que construíram um templo dedicado à uma divinindade feminina), sucessivamente gregos (que ergueram o templo dedicado à Vênus “Ericina”), romanos e cristãos. Foi habitada por árabes, normandos, svevos e aragoneses.

Subindo para Erice


Em uma das cidades “menos monumentais” da Sicília, isto é, Trapani, mas com uma quantidade enorme de monumentos e cidades antigas nos seus arredores (Erice, Salinas, Mozia, Segesta, Selinunte, Vale dos Templos, e por aí vai), podemos subir os quase 700m de teleférico para visitar Erice, passeio que aconselho fazer durante um dia inteiro, para quem não quer fazer nada correndo.

Vista de perto do Castelo de Vênus e da entrada do Castelo

Vale à pena lembrar pelo menos dois eventos históricos importantíssimos para ajudar a focalizar a importância de Erice no tempo: em 241 a.C., a primeira guerra púnica que aconteceu nas ilhas Égades (logo aqui na frente), com vitória dos romanos, e a estadia em Erice de Frederico III, Rei da Sicília entre 1296 e 1337.

O que ver em Erice?

O Duomo e a Torre de Frederico III
Frederico III viveu assediado em Erice pelas tropas de Roberto d'Angió durante a guerra de sucessão ao trono da Sicília. A Torre na frente do Duomo tem 28m e foi construída por Frederico III. É possível subir na Torre.

Duomo de Erice

O pequeno mas pungente Duomo foi construído em 1314 por Frederico III com material do antigo templo da Vênus Ericina; de fato notamos que a sua fachada fala muitas línguas. A rosácea é moderna (anos '50), e seu interior gótico foi maravilhosamente decorado no século XIX – fachada e teto do Duomo são uma das primeiras razões para visitar Erice, e uma das primeiras atrações a serem vistas pela proximidade ao portão de entrada da cidade.

Teto da nave central do Duomo de Erice

Os Muros Ciclópicos são os mais antigos que ví na minha vida: são do perído élimo, do VIII séc. a.C.. É também possível caminhar no percurso de roda, além de observá-lo nos seus 700m de comprimento. Caminhei ao longo das muralhas, por dentro e por fora, saí e re-entrei pelo portão “Spada”. Curti o quanto pude este muro tão antigo!

Caminhando nos Muros Ciclópicos do VIII a.C.


O Museu “Antonio Cordici” existe na sede atual (um antigo convento) desde 1939; para quem deseja dar de cara com 3000 anos de história em um “concentrado” de poucas, mas importantes peças, vale à pena dar uma olhada. Realmente belíssima a cabeça de Afrodite do V séc. a.C. E os balsamários, peças em vidro realizadas para conter bálsamos ou perfumes. Impressionante a coleção de moedas: da “Sicília Antiga”, às púnicas, romanas, e por aí vai. Maravilhosa a anunciação de Antonello Gaggini, do primeiro terço do século XVI. 

Peças do museu A. COrdici
 
Vale à pena ir ao “Quartiere Spagnoglo” pelo menos pela vista: é deslumbrante. No interior da torre do século XVII (nunca acabada) tinha uma exposição que resolvi pular para ter mais tempo para admirar a paisagem, comer um docinho, ver mais igrejas e... ter meu tempo no Castelo de Vênus.

Igreja de São Martinho, Erice

O que chamamos hoje de “Castelo de Vênus” é emocionante, pois foi um templo tão famoso na antiguidade, transformado pelos normandos em sede administrativa, e no século XIX em prisão! Infelizmente hoje não tem nada mais do antigo templo, apenas a sua memória, partes das fundações, algumas colunas antigas de ordem dórico e a tal “piscina de Vênus”, que os arqueólogos acreditam hoje que tenha servido como silos, para guardar o grão!

Doces típicos de Erice com pasta de amêndoas e pistache

Confesso que neste dia estava tão emocionada que não quis comer nada de muito longo no almoço; foi um sanduichinho rápido, mesmo, para não perder tempo! Mas dei, a este ponto, uma parada para o café com os famosos docinhos com pasta de amêndoas e pistache! Parei na Maria Grammatico, mas acredito que qualquer pasticceria seja ótima!

Típico piso da cidade medieval de Erice, Trapani, Sicilia

Quanto às igrejas, a grande surpresa foi São Juliano, construída em 1076 para agradecer o santo pela vitória sobre os muçulmanos que tinham tomado a cidade. Ao lado da entrada principal o guardião nos mostrou uma antiga capela barroca quase toda destruída, com um lindo crucifixo em madeira – atmosfera incrível deste lugar. 
 Igreja de São Juliano

A igreja de São Martinho também foi construída no período normando, frequentada pelo Rei – interessante o portão barroco com no alto das colunas as almas santas do purgatório sendo purificadas pelas chamas. Interessante a decoração do salão onde encontravam-se os magistrados.

 Os restos do Monastério de São Salvador também são bem sugestivos; hoje em dia vemos somente ruínas, mas a estrutura das fundações (uma série de cisternas) levou à hipóteses que esta zona, que em teoria fica longe do antigo templo de Vênus, fosse ligada ao templo... que então teria ocupado uma enorme parte da montanha! O monastério foi fundado no final do século XIII e, como a maioria dos monastérios, era quase autônomo: as freiras produziam pão para si mas também para os pobres, além dos famosos doces.

A funivia a partir de Trapani custa 9 e o passe para entrar em todas as igrejas, monumentos e no museu €15 - vale muito à pena comprar e não ter que pagar a cada entrada em monumentos!